O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou nesta quarta-feira (30) que foi pego de surpresa pelo anúncio da pré-candidatura do deputado federal Marcelo Aro (PP) ao governo estadual nas eleições de 2026. Em coletiva de imprensa, Zema reiterou seu apoio ao nome do deputado estadual Bruno Simões (Novo) como o candidato de seu partido.
“Fiquei surpreso com a decisão de Marcelo Aro. Ele é um aliado, mas já tínhamos acordado que o candidato do grupo seria o Bruno. Não vou retirar meu apoio a ele”, afirmou Zema. A declaração ocorre após Aro ter oficializado sua pré-candidatura no último sábado, durante evento em Belo Horizonte.
Divergências na base aliada
A pré-candidatura de Aro, que conta com o apoio de setores do PP e do PL, provoca fissuras na coligação que elegeu Zema em 2022. Pesquisa DataTempo de junho mostra Simões com 18% das intenções de voto, contra 22% de Aro e 25% do ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD). A margem de erro é de 2 pontos percentuais. A rejeição de Aro é de 35%, contra 28% de Simões.
Analistas políticos apontam que a disputa pode enfraquecer a oposição ao governo do PT, que busca reeleger o presidente Lula. “Se houver racha, o campo bolsonarista em Minas pode perder força”, comentou o cientista político Lucas Magalhães, da UFMG.
Zema defende união do centro-direita
O governador evitou criticar diretamente Aro, mas fez um apelo pela união das forças de centro-direita. “Precisamos construir um projeto único para não repetir erros do passado. Bruno Simões é o nome que melhor representa nossa visão de gestão”, disse Zema. Ele também destacou que Simões tem experiência como líder do governo na Assembleia Legislativa.
Simões, por sua vez, agradeceu o apoio e disse que sua campanha focará em segurança pública e atração de investimentos. “Vamos apresentar um plano de governo que dialogue com todos os mineiros”, declarou.
Repercussão entre aliados
O presidente do PP em Minas, deputado federal Diego Andrade, defendeu a candidatura de Aro como legítima. “O partido tem o direito de lançar seu próprio nome. Não há traição, é democracia”, afirmou. Já o Novo, através de seu presidente estadual, criticou a atitude de Aro, classificando-a como “desleal”.
Enquanto isso, o PSDB e o MDB, que também integram a base de Zema, observam com cautela. Nos bastidores, especula-se que Aro pode contar com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que poderia reverter o cenário eleitoral. “Se Bolsonaro apoiar Aro, Zema terá que recuar ou enfrentar uma guerra interna”, analisa o jornalista político Gustavo Fernandes.
Impacto nas eleições presidenciais
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16 milhões de eleitores. Uma divisão na oposição pode favorecer o PT, que já lançou o nome do vice-governador José Santana (PT) como pré-candidato. Pesquisas indicam que Santana tem 20% das intenções de voto, empatado com Simões e Aro dentro da margem de erro.
Zema, que não pode concorrer à reeleição por já estar em segundo mandato, tenta articular um palanque forte para as eleições presidenciais. Ele apoia a pré-candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência. “Uma candidatura forte em Minas é essencial para Tarcísio”, disse Zema.
A pré-candidatura de Aro ainda depende de convenções partidárias, marcadas para outubro. Enquanto isso, o PP negocia um eventual apoio a Simões em troca de cargos em uma futura gestão. O cenário eleitoral mineiro segue indefinido, com a possibilidade de novas reviravoltas nos próximos meses.



