A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 28 de julho, aponta a governadora Raquel Lyra (PSD) à frente na corrida pela reeleição em Pernambuco, com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). O levantamento mostra uma virada significativa: Lyra cresceu nove pontos desde abril, enquanto Campos caiu cinco. No cenário de segundo turno, a vantagem também se inverteu: Lyra tem 45%, contra 39% de Campos. Há um ano, a mesma pesquisa indicava Campos com 55% e Lyra com apenas 24%.
Ascensão digital e popularidade em alta
O crescimento de Lyra nas pesquisas coincide com um avanço expressivo nas redes sociais. Entre março e abril, a governadora ganhou 76 mil seguidores no Instagram, totalizando hoje 1,9 milhão. Segundo a AtivaWeb Datalab, empresa que monitora o comportamento político digital, Lyra teve um aumento de 18% no número de seguidores no primeiro semestre, superando todos os demais candidatos a governador do Nordeste. Ela também superou Campos em engajamento, apesar de ele ter mais seguidores (3 milhões). O diretor da empresa, Alek Maracajá, resume: "João tem o tamanho. Raquel tem o momento".
Guerra de acusações e milícia digital
A disputa digital em Pernambuco é marcada por acusações mútuas. João Campos afirmou a jornalistas que é alvo de uma "milícia digital" instrumentalizada contra ele, com robôs e informações falsas, e que a Polícia Federal apura o caso. A PF não confirmou a investigação. Por outro lado, a campanha de Lyra entrou com ações na Justiça Eleitoral, apresentando um dossiê que aponta uma suposta rede de perfis falsos ligada à campanha adversária. A governadora também declarou à CNN Brasil que sofre ataques de fake news e que acionou judicialmente perfis falsos.
Estratégias e fatores da virada
Cientistas políticos atribuem a ascensão de Lyra à melhora na comunicação e à percepção de entregas do governo. Túlio Velho Barreto, da Fundaj, avalia que a governadora "conseguiu melhorar a sua comunicação, tanto institucional como pessoal", tornando sua imagem mais palatável. Já a jornalista Simone Graf, pesquisadora da UFPE, observa uma "aproximação entre as estratégias digitais" dos dois candidatos, com Lyra adotando formatos que antes eram característicos de Campos. A base de Lyra é mais forte no interior, enquanto Campos domina no Recife e em outras capitais.
Desafios para Campos e cenário indefinido
João Campos enfrenta desafios após deixar a Prefeitura do Recife em abril, perdendo a máquina pública como palco de exposição diária. Um episódio envolvendo a nomeação de um candidato em um concurso público gerou desgaste. Apesar disso, Campos aposta na trajetória política da família, lembrando que seu pai, Eduardo Campos, reverteu cenários desfavoráveis nas pesquisas. Com 33 anos, ele pode se tornar o governador mais jovem da história de Pernambuco, enquanto Raquel Lyra busca se tornar a primeira mulher reeleita no cargo. O cenário, no entanto, segue indefinido, com empate técnico em várias pesquisas.



