Flávio Bolsonaro trocou de marqueteiro pela segunda vez em dois meses. A campanha do PL confirmou a saída de Eduardo Fischer, que estava à frente da comunicação do candidato à Presidência. A mudança ocorre em um momento crucial da pré-campanha, quando o senador busca consolidar sua imagem e ampliar o eleitorado.
Mudança na estratégia de comunicação
Há dois meses, o senador já havia substituído o responsável pelo marketing de sua campanha, sem que o nome do novo profissional fosse divulgado. A repetição da troca em curto intervalo sinaliza dificuldades na definição de uma linha de comunicação eficaz. A equipe atual não informou quem assumirá o posto deixado por Fischer.
As constantes alterações podem gerar instabilidade na mensagem da campanha, que precisa equilibrar a herança política do ex-presidente Jair Bolsonaro com a necessidade de construir uma identidade própria. Especialistas apontam que a rotatividade na área de marketing costuma refletir divergências internas sobre o tom e o público-alvo.
Repercussão no PL
A confirmação da saída de Fischer foi feita pela assessoria do Partido Liberal (PL). Em nota, a campanha limitou-se a agradecer os serviços prestados e desejar sucesso ao profissional. A convenção nacional do PL, realizada recentemente, oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, conforme registrado em foto de Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, não comentou diretamente a troca, mas reiterou o apoio do partido ao senador. A sigla espera que Flávio mantenha a base bolsonarista e, ao mesmo tempo, atraia setores moderados. A indefinição na comunicação pode comprometer esse objetivo.
Contexto da candidatura
Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é senador pelo Rio de Janeiro e busca se consolidar como o principal nome da direita para o próximo pleito presidencial. Desde o início de sua pré-campanha, ele enfrenta desafios como a alta rejeição e a necessidade de se diferenciar do pai, sem romper com seu eleitorado fiel.
A escolha de marqueteiros é vista como peça-chave para moldar essa estratégia. O primeiro profissional contratado permaneceu por cerca de quatro meses; Fischer ficou apenas dois. A rapidez das mudanças sugere que a campanha ainda não encontrou a abordagem ideal.
O papel do marqueteiro na política brasileira
No Brasil, o marqueteiro desempenha função central em campanhas presidenciais, sendo responsável por definir o tom dos discursos, a presença nas redes sociais e o planejamento de eventos. A troca frequente nessa posição costuma ser vista como sinal de crise ou de reorientação estratégica.
Exemplos recentes mostram que candidatos que mudam várias vezes de marqueteiro tendem a ter dificuldades em fixar uma mensagem consistente. No caso de Flávio Bolsonaro, a instabilidade pode ser agravada pela necessidade de dialogar com diferentes segmentos, dos mais radicais aos mais moderados.
Impacto na campanha
A curto prazo, a saída de Fischer exige que a equipe acelere a integração de um novo profissional, o que pode causar atrasos na produção de materiais de campanha. A médio prazo, a indefinição sobre a estratégia de comunicação pode prejudicar o crescimento nas pesquisas de intenção de voto.
Pesquisas internas do PL, segundo fontes da campanha, mostram que Flávio ainda precisa aumentar seu reconhecimento entre eleitores fora do núcleo duro bolsonarista. A comunicação terá papel decisivo nesse processo. A expectativa é que o novo marqueteiro seja anunciado nos próximos dias, com a missão de dar mais estabilidade à candidatura.



