Nas eleições de 2026, Uberaba registra um marco histórico: um em cada quatro eleitores tem mais de 60 anos, representando 26,9% do eleitorado, a maior taxa de idosos aptos a votar já registrada na cidade. Esse percentual mais que dobrou nas últimas três décadas, saltando de 13,1% em 1994 para os atuais 26,9%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Crescimento expressivo do eleitorado idoso
Conforme o TSE, para o pleito presidencial de 2026, há 63.588 eleitores com mais de 60 anos registrados em Uberaba, número mais de três vezes maior que os 20.996 registrados em 1994. Esse grupo representa 26,9% dos mais de 356 mil votantes do município. Quando comparado à população total, utilizando estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o avanço também é notável: em 1994, os idosos eram 9,8% dos moradores; em 2026, alcançam 17,8%.
O cenário acompanha o envelhecimento da população brasileira e coloca um desafio para candidatos e partidos em 2026: dialogar com um eleitorado cada vez mais maduro e numeroso. Com mais de um quarto do eleitorado acima de 60 anos, os idosos formam um contingente capaz de influenciar decisivamente as disputas eleitorais no município.
Centenários e voto facultativo
Dados do TSE revelam que Uberaba tem 48 eleitores com 100 anos ou mais, que representam 0,07% dos 22.449 idosos não obrigados a votar por idade. O voto é facultativo para analfabetos, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos. Consideram-se idosos pessoas a partir de 60 anos.
Esse público, embora pequeno, demonstra a longevidade crescente na região, refletindo uma tendência nacional de envelhecimento populacional.
Perfil educacional dos idosos eleitores
A maior parte dos idosos eleitores em Uberaba tem Ensino Fundamental incompleto: 22.389 pessoas, ou 35,2% do grupo. A menor fatia é a dos que não completaram o Ensino Superior: 1.709 eleitores (2,7%). Há ainda 2.108 idosos analfabetos (3,3%) e 10.909 com Ensino Superior completo (17,1%).
O nível educacional influencia a forma como esse eleitorado se posiciona politicamente, com maior tendência à fiscalização e à exigência de políticas específicas.
Especialistas apontam impacto nas campanhas
O historiador político Fernando Perlatto, diretor do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), destaca: "O cenário de envelhecimento da população é evidente. E as pessoas não apenas estão envelhecendo, mas continuam com uma vida ativa. Inclusive uma vida cívica mais ativa".
Para a socióloga e cientista política Alecilda Oliveira, o crescimento desse grupo tem potencial para influenciar diretamente o comportamento das campanhas eleitorais. "Eles tendem a ter mais fidelidade, seja a determinados candidatos ou posições políticas, e uma rejeição maior a mudanças bruscas. Isso cria uma tendência no tipo de voto e faz com que as pautas voltadas para essa população ganhem importância", afirmou.
Pautas prioritárias: saúde, previdência e segurança
Com o aumento do número de idosos, temas ligados ao envelhecimento ganham destaque durante a campanha. "Ter propostas que conversem diretamente com esta faixa da população passa a ser importante para os candidatos, porque a população mais madura e mais escolarizada - também uma tendência dos últimos anos - tende a ser mais fiscalizadora e a exigir políticas voltadas para seus interesses", afirmou Moacir de Freitas Júnior, professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
De acordo com Alecilda Oliveira, áreas como saúde pública, acesso a medicamentos, realização de exames, previdência social, mobilidade urbana e segurança pública costumam estar entre as maiores preocupações desse eleitorado. Candidatos que apresentarem propostas concretas nesses setores podem encontrar maior receptividade. "Quanto mais essa população participa, mais centrais se tornam pautas relacionadas à saúde, à previdência, ao acesso a medicamentos, consultas médicas e segurança pública", explicou.



