Eleitorado idoso de Divinópolis quase triplica em 30 anos
Eleitorado idoso de Divinópolis quase triplica em 30 anos

Nas eleições de 2026, um em cada quatro eleitores de Divinópolis tem mais de 60 anos, a maior taxa de idosos aptos a votar já registrada na cidade. Esse percentual quase triplicou nas últimas três décadas: em 1994, os idosos representavam apenas um a cada dez eleitores, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apresenta o eleitorado por faixa etária desde 1994.

Crescimento expressivo do eleitorado idoso

De acordo com o TSE, há 46.750 eleitores com mais de 60 anos registrados em Divinópolis para o pleito presidencial deste ano. Esse grupo representa 27,3% dos mais de 356 mil votantes do município. O peso proporcional dentro do eleitorado quase triplicou em relação a 1994, quando os idosos eram 11% do total.

Em números absolutos, o avanço é ainda mais impressionante: em 1994, Divinópolis tinha 11.159 eleitores com mais de 60 anos; em 2026, esse número é mais de quatro vezes maior, chegando a 46.750. Quando comparado à população total, utilizando as estimativas anuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o avanço também chama atenção: os eleitores acima de 60 anos representavam 7% dos moradores em 1994, e agora alcançam 19,2%.

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Centenários e voto facultativo

A cidade também registra 21 eleitores com 100 anos ou mais, público que tem voto facultativo, ou seja, não é obrigado a comparecer às urnas. Os centenários representam 0,1% dos 20.830 idosos que não são obrigados a votar por conta da idade em Divinópolis. O voto é facultativo para analfabetos, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos.

O cenário acompanha uma tendência observada no envelhecimento da população brasileira e coloca um desafio para candidatos e partidos em 2026: dialogar com um eleitorado cada vez mais maduro e numeroso. Com quase um terço do eleitorado acima de 60 anos, os idosos formam um contingente capaz de influenciar decisivamente os rumos das disputas eleitorais no município.

Perfil educacional dos idosos eleitores

A maior parte dos idosos eleitores em Divinópolis tem Ensino Fundamental incompleto: são 18.577 pessoas, o que representa 39,7% do grupo. A menor fatia de escolaridade é a dos que não completaram o Ensino Superior: 809 eleitores, ou 1,7%. Já os que não sabem ler nem escrever somam 3.880 eleitores, ou seja, 8,3% dos votantes acima de 60 anos são analfabetos. Por outro lado, 6.077 idosos têm Ensino Superior completo, o que equivale a 13% do eleitorado idoso da cidade.

Para o historiador político Fernando Perlatto, diretor do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o fenômeno é evidente: "O cenário de envelhecimento da população é evidente. E as pessoas não apenas estão envelhecendo, mas continuam com uma vida ativa. Inclusive uma vida cívica mais ativa", explicou.

Influência política tende a aumentar

A socióloga e cientista política Alecilda Oliveira afirma que o crescimento desse grupo tem potencial para influenciar diretamente o comportamento das campanhas eleitorais. Segundo a especialista, eleitores mais velhos tendem a apresentar maior fidelidade política e menor disposição para mudanças bruscas, características que os tornam um público estratégico para candidatos.

"Eles tendem a ter mais fidelidade, seja a determinados candidatos ou posições políticas, e uma rejeição maior a mudanças bruscas. Isso cria uma tendência no tipo de voto e faz com que as pautas voltadas para essa população ganhem importância", afirmou Alecilda Oliveira.

Saúde, previdência e segurança ganham espaço

Com o aumento do número de idosos, temas ligados ao envelhecimento podem ganhar ainda mais destaque durante a campanha eleitoral. O professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Moacir de Freitas Júnior ressalta: "Ter propostas que conversem diretamente com esta faixa da população passa a ser importante para os candidatos, porque a população mais madura e mais escolarizada - também uma tendência dos últimos anos - tende a ser mais fiscalizadora e a exigir políticas voltadas para seus interesses".

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De acordo com Alecilda Oliveira, áreas como saúde pública, acesso a medicamentos, realização de exames, previdência social, mobilidade urbana e segurança pública costumam estar entre as maiores preocupações desse eleitorado. Candidatos que conseguirem apresentar propostas concretas nesses setores podem encontrar maior receptividade entre os eleitores mais velhos. "Quanto mais essa população participa, mais centrais se tornam pautas relacionadas à saúde, à previdência, ao acesso a medicamentos, consultas médicas e segurança pública", explicou.

Nesta semana, a dois meses do primeiro turno das Eleições 2026, o g1 publica uma série de reportagens sobre o perfil do eleitorado da cidade com análises de especialistas. Nesta segunda-feira (3), o g1 mostrou que o crescimento do eleitorado em ritmo mais acelerado que o da população. A série ainda vai abordar a participação dos jovens, o peso do voto feminino e o impacto das abstenções.