O deputado federal Guilherme Derrite (PP), candidato ao Senado por São Paulo na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou nesta quarta-feira (29) que vá abandonar a corrida eleitoral e ser substituído. A hipótese foi levantada após pesquisas Quaest e Datafolha indicarem que as adversárias Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) lideram a disputa pelas duas vagas de senador no estado. Dentro do PP, avalia-se que a direita deve conquistar apenas uma das cadeiras e que o governador Tarcísio estaria mais empenhado em eleger André do Prado (PL), que possui maior articulação com prefeitos do interior.
Derrite rebate especulações
“Estou dando risada aqui de algumas matérias que saíram dizendo que existe a possibilidade de eu desistir da candidatura ao Senado e um outro candidato me substituir. Como isso pode acontecer? Já fui oficializado na convenção, na semana passada, e eu apareço em primeiro lugar em todas as pesquisas no campo da direita, desde a primeira pesquisa”, afirmou o ex-secretário nas redes sociais. Em vídeo publicado, Derrite classificou o movimento dentro da base aliada como “fofoca de desesperados” e atribuiu as intrigas a adversários ligados ao PT. “Isso só está acontecendo porque a galera está com medo. Bateu o desespero no lado de lá. É sinal que a nossa campanha está cada vez mais forte”, declarou.
Pesquisas mostram cenário competitivo
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra Marina Silva (Rede) com 14% das intenções de voto, Simone Tebet (PSB) com 12%, Pablo Marçal (União Brasil) com 9% e Guilherme Derrite (PP) com 7%, no cenário que inclui José Aníbal (PSDB). André do Prado (PL) aparece com 5%, Paulinho da Força (Solidariedade) com 4%, Ricardo Salles (Novo) com 4%, Robson Tuma (Republicanos) com 3% e José Aníbal com 1%. Indecisos somam 21% e brancos/nulos/não votantes, 20%. Em um segundo cenário, sem José Aníbal, Derrite sobe para 8% e Salles para 5%, mantendo-se os demais percentuais. A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 1.650 eleitores entre 23 e 27 de julho, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Relação distante com Tarcísio
A relação distante entre Tarcísio e Derrite tem sido motivo de comentários. Desde que Derrite deixou a Secretaria da Segurança Pública em dezembro passado, após episódios de violência policial, aliados afirmam que o governador tem mantido poucas conversas com seu ex-comandado. Segundo membros do PP ouvidos pelo g1, a sensação é de que “Tarcísio abraçou apenas a candidatura de André do Prado com sinceridade”. O distanciamento ficou evidente em inaugurações recentes, como a Linha 6-Laranja do Metrô e uma praça na antiga Cracolândia, nas quais Tarcísio estava ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e de André do Prado, sem citar Derrite.
Pressão interna no PP
Dentro do PP, há quem avalie que Derrite seja um grande puxador de votos e deveria concorrer à reeleição de deputado federal para ajudar a sigla a conquistar mais cadeiras na Câmara. Um deputado do partido na Executiva Estadual afirmou ao g1 que o enfraquecimento da relação entre Derrite e Tarcísio pode ter relação com a eleição de 2030. “Todo mundo sabe que a vontade do Derrite é ser governador de SP um dia”, disse. Outro deputado na Alesp complementou: “Para nós, é mais seguro que Derrite seja o puxador de voto para deputado federal e mantenha um mandato ativo para tentar o governo em 2030 do que entrar numa disputa em que o voto da direita bolsonarista está dividido entre três candidatos do mesmo campo”.
Derrite minimiza crise
Em sua manifestação, Derrite chamou as especulações de “fake news” e afirmou que sua campanha está forte. “A gente vai ter que conviver com isso até o dia 3 de outubro, um dia antes da eleição. As fake news que vão aparecer diariamente e constantemente na imprensa brasileira”, declarou. Ele descartou qualquer possibilidade de desistência e reiterou que é o candidato da direita com maior potencial para vencer.



