Juros futuros fecham sem direção única após Fed e Treasuries
Juros futuros sem direção única após Fed e Treasuries

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam sem direção única na quarta-feira, em um pregão marcado pela influência da queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) após a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter a taxa básica de juros inalterada, mas com sinalização de um possível corte em setembro.

Movimento dos DIs

O DI com vencimento em janeiro de 2029, um dos mais líquidos, encerrou com taxa de 11,94%, ante 11,93% do ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2025 caiu de 10,85% para 10,82%, enquanto o DI para janeiro de 2027 subiu de 11,50% para 11,52%. O mercado ajustou as expectativas após a comunicação do Fed, que manteve o tom cauteloso mas abriu portas para um afrouxamento monetário em setembro, dependendo dos dados econômicos.

Segundo analistas, o movimento reflete a busca por maior prêmio de risco no Brasil, em meio a preocupações fiscais e à divulgação do IPCA-15 de julho, que veio acima do esperado. O índice de preços ao consumidor para o mês subiu 0,30%, ante previsão de 0,25%, o que reforçou o cenário de juros elevados por mais tempo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto do Fed no mercado brasileiro

O Fed, como amplamente esperado, manteve a taxa entre 5,25% e 5,50% pela oitava vez consecutiva. No comunicado, o presidente Jerome Powell afirmou que "não houve progresso significativo na inflação" e que "precisam ter mais confiança antes de cortar". No entanto, a indicação de que um corte em setembro está sobre a mesa fez os yields dos Treasuries caírem, com o título de 10 anos recuando para 4,15%. Esse movimento externo foi o principal fator de queda nas taxas curtas no Brasil, enquanto as longas subiram devido ao prêmio de risco local.

"A sinalização do Fed foi interpretada como ligeiramente dovish, mas o mercado brasileiro está mais atento ao risco fiscal e à inflação persistente. Por isso, vimos uma ponta longa mais pressionada", afirmou Ricardo Santos, economista-chefe da XYZ Investimentos.

Cenário doméstico e perspectivas

A curva de juros brasileira continua a refletir a incerteza sobre a trajetória da política monetária do Banco Central. O IPCA-15 de julho, divulgado na véspera, mostrou pressão em serviços e alimentação, o que pode dificultar o início de um ciclo de corte de juros ainda em 2024. A taxa Selic está atualmente em 10,50% ao ano, e o mercado precifica uma possível redução apenas no último trimestre, com 25 pontos-base em novembro.

Além disso, as negociações fiscais em Brasília continuam no radar. O governo busca aprovar medidas de aumento de receita para cumprir a meta fiscal, mas o mercado demonstra ceticismo. A combinação de juros externos menores com incerteza local deve manter a volatilidade nos DIs nas próximas sessões.

No fechamento, os contratos de curto prazo (até 2025) recuaram, beneficiados pela queda dos Treasuries, enquanto os longos (2026 em diante) subiram, com prêmio de risco elevado. O DI para janeiro de 2026 caiu de 11,15% para 11,10%, e o para janeiro de 2029 subiu para 11,94%.

Dados técnicos

O volume financeiro negociado na B3 foi de R$ 12,5 bilhões em DIs, acima da média diária de R$ 10 bilhões, indicando maior participação de investidores estrangeiros e institucionais. O mercado segue atento aos próximos dados de emprego nos EUA e ao relatório fiscal brasileiro.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar