O PSB Ceará homologou, na manhã deste sábado (1º), a candidatura do senador Cid Gomes à reeleição para o Senado pelo Ceará. O anúncio ocorreu em convenção realizada na sede estadual da legenda, em Fortaleza, e reafirmou a aliança do partido com a base de apoio ao governo do estado.
A convenção marcou o início oficial da caminhada eleitoral do partido no Ceará, reunindo pré-candidatos, dirigentes, militantes e lideranças políticas em clima de expectativa para as eleições de outubro.
Críticas ao bolsonarismo
Em discurso durante o evento, Cid Gomes fez duras críticas à oposição, especialmente ao bolsonarismo, por suposta disseminação de ódio na política. Ele afirmou que o país precisa de mais empatia e fraternidade.
"O ódio, a amargura, a inveja e uma série de coisas que a gente vê cada vez mais presente na política brasileira por uma disseminação de uma turma que teima em persistir, que é essa turma bolsonarista", disse o senador.
Em seguida, completou: "A gente tem que ir pelo voto, fazer essas pessoas compreenderem que a gente tem que ser fraterno, que a gente tem que ser solidário, que a gente tem que ter empatia com as pessoas que mais precisam e não ficar disseminando discurso de ódio."
Para Cid, a política deveria ser pautada pela solidariedade e pela compreensão das necessidades da população. "A gente tem que ser fraterno", reforçou, em tom de apelo.
Composição da chapa
A definição do nome de Cid Gomes como candidato a uma das duas vagas do Ceará no Senado foi realizada após reunião com o presidente Lula em Brasília. O deputado Júnior Mano (PSB) foi escolhido como o primeiro suplente do senador.
O PSB Ceará compõe a base de apoio ao governo do Ceará, integrando a chapa que terá Elmano como candidato à reeleição para o cargo de governador. No evento, o partido também homologou as candidaturas para os cargos de deputados estaduais e federais.
A aliança entre PSB e os partidos que apoiam o atual governo do Ceará é considerada uma das principais forças políticas do estado para o pleito. A indicação de Júnior Mano como suplente reforça a estratégia de unidade partidária.
Calendário eleitoral
As convenções partidárias são os eventos em que os filiados se reúnem para escolher os candidatos nas eleições. O prazo final para a realização é 5 de agosto. Na sequência, os nomes devem ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 15 de agosto. A campanha eleitoral começa oficialmente no dia seguinte, 16 de agosto.
Nas eleições deste ano, em 4 de outubro, os brasileiros vão votar para presidente, governador, Senado (duas vagas por estado), deputado federal e deputado estadual. No Ceará, os eleitores também vão decidir quem ocupará os cargos no legislativo estadual e federal.
Trajetória de Cid Gomes
Nascido em Sobral, Cid Ferreira Gomes é engenheiro civil graduado pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Ele teve as primeiras atividades políticas no Centro Acadêmico do curso.
Cid foi eleito deputado estadual por dois mandatos, nas eleições de 1990 e 1994. De 1997 a 2004, exerceu o cargo de prefeito de Sobral, destacando-se com resultados na educação pública do município. Em seguida, foi eleito governador do Ceará por dois mandatos, entre 2007 e 2014. Após o fim do segundo mandato, foi ministro da Educação no governo de Dilma Rousseff.
Nas eleições de 2018, Cid foi eleito para a vaga de senador do Ceará, com mandato de oito anos. Agora, concorre à reeleição, buscando um novo mandato de oito anos no Senado.
Rivalidade com o irmão Ciro
Enquanto Cid concorre à reeleição no Senado, o irmão dele, Ciro Gomes, tenta voltar ao cargo de governador do Ceará em um grupo político de oposição. Cid e Ciro estão em lados políticos opostos.
A rixa entre os irmãos se tornou pública em 2022, quando a aliança de 16 anos entre PT e PDT no Ceará se rompeu. À época em que a aliança foi formada, Ciro era considerado o "mentor intelectual" do projeto para articular os grupos políticos, enquanto Cid era visto como o executor.
A disputa coloca as duas lideranças em campanhas rivais, com Cid apoiando a reeleição de Elmano e Ciro buscando ocupar o Palácio da Abolição. Essa situação é vista como um dos principais capítulos da política cearense nas eleições deste ano.



