Os candidatos ao Senado pela Bahia, Jaques Wagner e Rui Costa, defenderam a eleição de aliados como estratégia para fortalecer um eventual novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A posição foi publicada pelo jornal Valor, que ouviu os dois petistas durante evento de campanha em Salvador.
Estratégia para garantir governabilidade
De acordo com o Valor, Wagner e Rui argumentaram que a composição do Congresso Nacional será decisiva para a aprovação de reformas e para a estabilidade política do país. Ambos sustentam que, sem uma base sólida no Legislativo, o governo enfrentará dificuldades para implementar sua agenda.
Segundo o jornal, os candidatos citaram a necessidade de eleger parlamentares comprometidos com o projeto do PT, especialmente em um cenário de fragmentação partidária. Os dois políticos destacaram que a renovação do Senado é uma oportunidade para ampliar a base de apoio ao governo.
Renovação de dois terços do Senado
Neste ano, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado Federal, o que corresponde a dois terços da Casa. Esse número elevado de vagas em jogo faz com que as eleições proporcionais sejam vistas como um termômetro para o governo. Wagner e Rui, segundo o Valor, veem na eleição de aliados uma forma de garantir governabilidade até o fim do mandato presidencial, caso Lula seja reeleito.
A avaliação é de que o atual Congresso tem mostrado resistência a pautas caras ao Planalto, como a reforma tributária e mudanças na política econômica. Para eles, uma bancada maior e mais coesa no Senado pode desbloquear votações importantes e reduzir a necessidade de negociações pontuais com partidos de centro e de direita.
Impacto para o governo Lula
O reforço de aliados no Senado é visto como fator crítico para que o presidente Lula possa, em um segundo mandato, aprovar emendas constitucionais e matérias que exigem quórum qualificado. Atualmente, o governo depende de apoio de partidos como PSD, MDB e União Brasil, o que gera instabilidade e concessões constantes.
Wagner, que já exerce mandato de senador, e Rui, ex-governador da Bahia, apostam em suas experiências para articular acordos e ampliar a influência do PT na Casa. Eles também defenderam a eleição de governadores e deputados estaduais alinhados ao partido como forma de fortalecer a base política em todo o país, especialmente no Nordeste, onde a legenda tem maior penetração.
Repercussão na Bahia
Na Bahia, a disputa pelo Senado deve ser uma das mais acirradas do país. Wagner e Rui dividem o mesmo palanque, mas enfrentam a oposição de candidatos apoiados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e por grupos políticos locais. A expectativa é de que a eleição no estado funcione como um termômetro nacional para os dois cenários presidenciais.
Os dois candidatos prometem intensificar a agenda de campanha nas próximas semanas, com foco em cidades do interior. Segundo o Valor, eles deverão percorrer juntos diversas regiões do estado para reforçar a importância da eleição de uma bancada aliada ao governo federal.
Essa movimentação ocorre em um momento em que as pesquisas de intenção de voto indicam vantagem de Lula no Nordeste, mas com margens menores que em pleitos anteriores. A estratégia de Wagner e Rui, portanto, é não apenas assegurar suas próprias vagas, mas também eleger suplentes e influenciar a composição do Senado para o próximo quadriênio.
Próximos passos
A campanha deve ganhar contornos mais definidos após o registro oficial das candidaturas. Nos próximos dias, a coligação deve anunciar acordos estaduais e nacionais, incluindo a distribuição de tempo de rádio e TV. Para Wagner e Rui, a união em torno do nome de Lula é o principal trunfo para convencer o eleitorado baiano.
Enquanto isso, a articulação política no Congresso segue em ritmo acelerado, com o Planalto monitorando os cenários estaduais e costurando apoios que possam garantir a aprovação de matérias prioritárias em 2027, caso a chapa seja vitoriosa.
A reportagem do Valor destaca ainda que a defesa da eleição de aliados não se restringe ao Senado, mas engloba também as assembleias legislativas e as câmaras municipais, como forma de criar uma base orgânica de apoio ao governo em todas as esferas.



