Witzel desiste de disputar governo do Rio e apoia Garotinho
Witzel desiste de disputar governo do Rio e apoia Garotinho

O ex-governador Wilson Witzel anunciou neste sábado, 1º de agosto de 2026, que retirou sua pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro e declarou apoio à candidatura de Anthony Garotinho. A decisão, comunicada pela assessoria do ex-governador, ocorre a dois meses do primeiro turno das eleições estaduais, previsto para outubro. Com o recuo, Witzel encerra a possibilidade de disputar novamente o cargo e passa a integrar a campanha de Garotinho, que governou o estado entre 1999 e 2002.

Uma trajetória interrompida

Wilson Witzel, juiz federal licenciado, chegou ao Palácio Guanabara em janeiro de 2019, após vencer o segundo turno da eleição de 2018 com 59,87% dos votos válidos, contra 40,13% de Eduardo Paes. Ele se tornou governador com uma plataforma de segurança dura, mas o mandato foi abreviado em abril de 2021. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou o impeachment de Witzel por 58 votos a 12, após uma série de denúncias sobre supostas irregularidades em contratos públicos durante a pandemia de covid-19, especialmente envolvendo a compra de equipamentos e a abertura de hospitais de campanha.

Após a cassação, Witzel dedicou-se a articulação de um retorno político. Nos últimos meses, sua pré-candidatura ao governo chegou a ser tratada como provável, mas as negociações com partidos e lideranças locais não avançaram. A desistência ocorre às vésperas do prazo para as convenções partidárias, que se encerra em 5 de agosto. Interlocutores do ex-governador, ao tomarem conhecimento da decisão, avaliaram que o gesto busca unificar a oposição em torno de um nome com potencial eleitoral.

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Garotinho e a nova aliança

Anthony Garotinho, que administrou o Rio entre 1999 e 2002, mantém força em regiões do interior, sobretudo em Campos dos Goytacazes, onde começou a carreira política. Nos últimos anos, Garotinho enfrentou ações na Justiça, com destaque para uma prisão preventiva em 2018, em desdobramentos da Operação Lava Jato, mas nunca foi condenado definitivamente. Sua capacidade de mobilizar eleitores em diferentes nichos é reconhecida por adversários e aliados.

A aliança entre Witzel e Garotinho surpreendeu analistas, pois em 2018 os dois estavam em lados antagônicos. Witzel foi eleito com discurso de combate ao crime e à corrupção, enquanto Garotinho permanecia preso durante parte da campanha. Agora, a união é lida como uma frente ampla para desafiar a situação. A expectativa em torno da candidatura de Garotinho é que Witzel possa transferir parte de seu eleitorado, especialmente entre eleitores que priorizam segurança pública e quebra de monopólios políticos.

Repercussão e próximos passos

A notícia da desistência e do apoio circulou rapidamente entre lideranças partidárias e nas redes sociais. A campanha de Garotinho não divulgou nota oficial imediatamente, mas aliados indicam que um ato conjunto deve ser realizado nos próximos dias. A coordenação da candidatura espera que Witzel participe de agendas em cidades do interior, ampliando o alcance da campanha.

O cenário eleitoral fluminense, que já tinha outros pré-candidatos, agora passa por um realinhamento. A retirada de Witzel reduz o número de protagonistas e deixa o caminho livre para uma polarização mais clara. Com as convenções partidárias em andamento, as decisões das siglas nos próximos dias definirão o mapa da disputa. O prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral é uma das próximas etapas formais. Até lá, a movimentação de Witzel em favor de Garotinho será o principal assunto da política fluminense.

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