Os Estados Unidos começarão a implementar um bloqueio marítimo ao Irã na terça-feira, intensificando as tensões no Oriente Médio. A medida, anunciada pelo governo americano, elevou os preços do petróleo em 9% no fechamento do mercado, com o barril do Brent ultrapassando os US$ 85. A escalada geopolítica na região do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, gerou forte volatilidade nos mercados financeiros.
Impacto imediato nos mercados
O Ibovespa opera perto dos 181 mil pontos, enquanto o dólar comercial esbarra na resistência dos R$ 5,00. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) subiram com a combinação de tensão no Oriente Médio e noticiário político doméstico. O mercado de ações viu alta de mais de 3% nas petroleiras, como Petrobras e outras, acompanhando a disparada do petróleo. Segundo analistas da XP, o cenário de curto prazo é de cautela, mas mantêm a projeção de dólar a R$ 5,00 e otimismo com o PIB.
Reação das autoridades e riscos
O presidente Lula afirmou não querer guerra, mas que as Forças Armadas estão preparadas para defender a soberania nacional. A Agência Marítima da ONU reiterou que a passagem por Ormuz deve seguir isenta de taxas, enquanto o Reino Unido designará a Guarda Revolucionária do Irã como ameaça à segurança nacional. A Goldman Sachs vê fim gradual da dependência de Ormuz, com expansão de produção em outras regiões.
Petróleo e inflação no radar
O alívio com a inflação, que vinha dando suporte aos mercados, agora divide espaço com a tensão geopolítica. O mercado reforçou apostas em alta de juros pelo Fed em setembro, devido à crise no Irã. Segundo o CME Group, a probabilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual subiu para 45%. O petróleo fechou em alta de 9%, maior ganho diário em meses, pressionando custos de transporte e energia.
O que esperar para o Ibovespa e o dólar
Os investidores monitoram de perto os desdobramentos do bloqueio. A tensão em Ormuz pode elevar ainda mais o prêmio de risco, beneficiando ativos ligados a commodities, mas prejudicando setores dependentes de importação. A renda fixa segue atrativa, com CDBs, LCIs e LCAs oferecendo taxas elevadas. A XP recomenda ajustes no portfólio para o segundo semestre, equilibrando exposição a renda fixa e bolsa.



