O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu a prática de dirigentes partidários controlarem o destino de emendas parlamentares, em entrevista ao Estúdio i nesta terça-feira (14). Segundo Valdemar, essa é uma função inerente ao cargo, pois apenas o presidente e a direção do partido possuem uma 'visão nacional' das necessidades da legenda, enquanto deputados focam em suas bases locais.
Valdemar admite interferência de presidentes de partido
Questionado se outros presidentes de partido também interferem na destinação de emendas, Valdemar respondeu afirmativamente: 'Mas é lógico. A função do presidente é cuidar do partido'. A indicação de emendas parlamentares é, no entanto, uma prerrogativa de deputados e senadores. Valdemar é ex-deputado, e a participação dele na destinação de recursos públicos é considerada irregular pela Polícia Federal.
Suspensão de emendas pelo STF
Nesta sexta-feira (10), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de emendas parlamentares que teriam sido indicadas irregularmente por Valdemar. Ele é suspeito dos crimes de desvio de dinheiro e associação criminosa. A Polícia Federal investiga se ele desviou R$ 119 milhões em emendas parlamentares por meio de um esquema clandestino.
Esquema de indicações falsas
De acordo com a investigação, deputados federais eram falsamente apontados como 'solicitantes' das indicações para conferir aparência de legalidade. As indicações de Valdemar eram planilhadas e enviadas aos ministérios responsáveis pelos programas. Na entrevista, Valdemar justificou que a negociação de emendas faz parte da dinâmica política para atender prefeitos e vereadores que buscam recursos, mas que não possuem um 'padrinho' direto no Congresso.



