O Partido Progressista (PP) foi a sigla que mais enviou emendas da Câmara dos Deputados em 2025 vinculadas à liderança partidária, ocultando os reais autores da indicação de recursos públicos. A informação consta em relatório publicado pela Transparência Brasil nesta segunda-feira (13).
Ranking dos partidos com mais emendas ocultas
Além do PP, também lideram o ranking as siglas União Brasil e Partido Liberal. Na sequência, figuram Republicanos, Avante, Solidariedade e Podemos. Confira os números:
- Progressistas – 464 indicações, totalizando R$ 427.749.685
- União Brasil – 303 indicações, totalizando R$ 288.744.163
- Partido Liberal – 234 indicações, totalizando R$ 254.339.840
- Republicanos – 260 indicações, totalizando R$ 218.454.614
- Avante – 50 indicações, totalizando R$ 29.995.000
- Solidariedade – 6 indicações, totalizando R$ 22.000.000
- Podemos – 24 indicações, totalizando R$ 18.983.331
Líderes partidários concentram indicações
O relatório destaca que os líderes de bancada de seis dos sete partidos indicaram emendas sem apontar responsáveis, somando R$ 143,2 milhões em 2025. A única exceção é o PP, que não possui registros de indicação atrelados ao líder da bancada na Câmara, Dr. Luizinho. No entanto, o partido direcionou mais da metade do montante discriminado ao Piauí, estado que elegeu o presidente do partido, Ciro Nogueira, como senador.
Confira a porcentagem das emendas de 2025 direcionadas a beneficiários dos estados dos líderes partidários:
- Pedro Lucas Fernandes (União) – Maranhão: 47%
- Sóstenes Cavalcante (PL) – Rio de Janeiro: 8%
- Dr. Luizinho (PP) – Rio de Janeiro: 24%
- Aureo Ribeiro (Solidariedade) – Rio de Janeiro: 100%
- Gilberto Abramo (Republicanos) – Minas Gerais: 17%
- Neto Carletto (Avante) – Bahia: 67%
- Rodrigo Gambale (Podemos) – São Paulo: 21%
R$ 1,3 bilhão sem transparência
No total, foram indicadas 1.341 emendas de comissão, totalizando R$ 1,3 bilhão sem transparência, em um movimento semelhante ao orçamento secreto – proibido pelo Supremo Tribunal Federal ao final de 2022. O montante de emendas partidárias sem indicação de origem além da liderança equivale a 16% do total das emendas de comissão. Destas, R$ 818,1 milhões partiram da Comissão de Saúde, dominada pelo Partido Liberal.
Os dados foram extraídos a partir de documentos da Comissão Mista de Planos, Orçamentos e Fiscalização do Congresso Nacional, que reúne dados orçamentários das duas Casas legislativas.
Valdemar Costa Neto e o esquema das 'emendas de liderança'
O PL é presidido por Valdemar Costa Neto, considerado uma grande figura política, mesmo sem exercer mandato atualmente, e responsável por abrigar a família Bolsonaro sob a sigla. Ele é acusado de participar do esquema das “emendas de liderança” e ter desviado R$ 119 milhões no total. Segundo a investigação da Polícia Federal, Valdemar teria utilizado servidores da Câmara para direcionar a ele mesmo os recursos. Após decisão do ministro do STF, Flávio Dino, Valdemar teve o mesmo montante bloqueado em bens.
No domingo (12), Dino também determinou o bloqueio dos bens do ex-deputado Eduardo Cunha até o limite de R$ 6 milhões, valor que, segundo a PF, teria sido destinado por meio de 21 emendas parlamentares a municípios de Minas Gerais durante o período.



