A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma representação na qual afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, oferecia um 'tratamento privilegiado' e 'diferenciado' ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), incluindo o custeio de viagens internacionais de luxo. O documento, cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira (16), contém imagens do parlamentar e do banqueiro em viagens e situações de proximidade.
Relação funcional e instrumental
Na representação, a PF descreve a relação entre Vorcaro e Nogueira como 'funcional e instrumental', voltada ao benefício mútuo. Enquanto o senador atuava no Senado para defender os interesses do banqueiro, Vorcaro retribuía com vantagens financeiras, como pagamento de valores mensais classificados como 'mesada', que chegavam a R$ 300 mil e até R$ 500 mil, aquisição de participação societária com deságio, e custeio de viagens internacionais com jatos particulares, hotéis de luxo e despesas com eventos e restaurantes sofisticados.
Emenda Master
A PF aponta que Ciro Nogueira teria usado seu poder parlamentar para beneficiar o Banco Master, destacando a apresentação da 'Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023', apelidada de 'emenda Master'. O texto foi elaborado pela assessoria do banco e entregue ao senador, com orientações de entrega em sua residência. A proposição ampliaria os negócios da instituição financeira, transferindo risco ao Fundo Garantidor de Créditos.
Viagens internacionais de luxo
As investigações indicam que Vorcaro custeou viagens de luxo para Nogueira em 2024 e 2025, incluindo passagens aéreas em jatos particulares, hospedagens em hotéis de prestígio, restaurantes sofisticados e até vestuário para esqui. Os destinos incluíram Paris, Nova Iorque, Portugal e Courchevel, nos Alpes franceses. Em três ocasiões, o senador usou aeronaves particulares de Vorcaro. O montante total dessas despesas, ainda em apuração, supera R$ 500 mil, segundo a PF.
Ciro Nogueira nega irregularidades
A defesa de Ciro Nogueira afirmou que ele está comprometido em contribuir com a Justiça e nega qualquer participação em atividades ilícitas. Os advogados repudiam ilações de ilicitude e consideram as medidas investigativas precipitadas, baseadas em troca de mensagens de terceiros.



