O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), é alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18). A investigação apura suposta atuação parlamentar do senador em favor do Banco Master, com indícios de recebimento de vantagens, incluindo um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões.
Mensagem comprometedora
De acordo com a decisão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF), o gestor do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, enviou mensagem a Jaques Wagner em 29 de março de 2025, afirmando: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”. A frase, segundo o STF, indica que o senador não era mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico.
Atuação parlamentar
A Polícia Federal aponta que Wagner teria atuado em temas como crédito consignado, limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e na tentativa de fiscalização da compra do Master pelo BRB. Entre as ações, estaria a articulação para a aprovação da chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Em 13 de agosto de 2024, quando a emenda foi incluída, houve uma ligação de 9 minutos e 19 segundos entre Wagner e Lima, seguida do envio do link da emenda. Em 27 de agosto, após encontro presencial, Lima teria reencaminhado o link.
Contrapartida
Como contrapartida, a PF identificou a aquisição de um apartamento no empreendimento Poème Horto, unidade 1.702, cujos dados foram repassados de Wagner para Lima. As tratativas continuaram mesmo após a primeira fase da operação, com chamadas de voz, reuniões e envio de minutas contratuais.
Decisão judicial
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, não autorizou buscas no gabinete de Wagner, por entender que a medida em sede de outro Poder exige fundamentação rigorosa. Também não foram autorizadas medidas em escritórios ligados ao mandato do senador.
A assessoria de Jaques Wagner foi procurada, mas ainda não se pronunciou sobre a operação.



