O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes proibiu o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) de visitar o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A decisão, tomada nesta quarta-feira, 5 de março, ocorre após a divulgação de uma carta escrita por Flávio com apelos à direita, o que teria motivado a medida cautelar.
Contexto da decisão
A ordem de Moraes atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou risco de Flávio usar as visitas para coordenar ações políticas com o pai, prejudicando as investigações em curso. A proibição é válida até que novas determinações sejam feitas.
A guerra entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro se intensificou nos últimos meses. Michelle, ex-primeira-dama, tem se posicionado como possível candidata ao Planalto, enquanto Flávio tenta consolidar sua pré-candidatura. A decisão de Moraes é vista como um golpe para Flávio, que perde o acesso direto ao pai para articular alianças.
Reações
Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que “a decisão é arbitrária e viola o direito de visita familiar”. Já Michelle Bolsonaro não se manifestou oficialmente, mas aliados próximos dizem que ela vê a medida como uma oportunidade de se destacar como a principal representante da família Bolsonaro na política.
“A decisão de Moraes pode acelerar a definição de quem será o candidato do clã Bolsonaro em 2026”, afirmou o cientista político Carlos Melo, do Insper. “Flávio perde força, enquanto Michelle ganha espaço.”
Impacto político
A proibição ocorre em meio à disputa pela herança política de Jair Bolsonaro, que está inelegível até 2030. Flávio vinha usando as visitas ao pai para gravar vídeos e divulgar mensagens de cunho político, o que motivou a PGR a agir.
Segundo fontes do STF, a decisão de Moraes também se baseia no fato de que Flávio teria desrespeitado restrições anteriores, ao divulgar a carta com “apelos à direita” sem autorização judicial. A carta, obtida pelo blog, pedia que apoiadores “não desistam do Brasil” e criticava o governo Lula.
Com a proibição, Flávio fica isolado do pai, enquanto Michelle mantém visitas regulares, autorizadas por Moraes. A ex-primeira-dama tem usado os encontros para reforçar sua imagem de “guardiã” do legado bolsonarista.



