O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou a Polícia Federal de proteger Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em investigação que apura supostas irregularidades financeiras. A declaração foi feita durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, na manhã desta terça-feira (4), em Brasília.
Acusação sem provas
Flávio afirmou que a PF teria deixado de cumprir mandados de busca e apreensão na casa de Lulinha, em São Paulo, por interferência política. "A Polícia Federal está claramente protegendo Lulinha. Há indícios fortes de que houve tráfico de influência e lavagem de dinheiro, mas a PF não age", disse o senador, sem apresentar provas concretas.
A PF, em nota oficial, negou as acusações e afirmou que todas as diligências são realizadas com base em critérios técnicos e jurídicos. "A instituição reafirma seu compromisso com a imparcialidade e a legalidade em todas as investigações", diz o comunicado.
Investigação em andamento
A investigação contra Lulinha, cujo nome é Luís Cláudio Lula da Silva, corre em segredo de Justiça. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a PF apura movimentações financeiras suspeitas em contas de empresas ligadas ao filho do ex-presidente.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a acusação de Flávio pode ter motivação política, já que ele é um dos principais opositores do governo Lula. "É comum em períodos eleitorais que parlamentares façam acusações sem fundamento para desgastar adversários", analisa o cientista político Carlos Melo, do Insper.
Reações
O PT, partido do ex-presidente, classificou a fala de Flávio como "irresponsável" e "fake news". Em nota, a legenda afirmou que Lulinha nunca foi alvo de qualquer acusação formal e que a PF age com autonomia.
Lulinha, por meio de sua assessoria, negou qualquer irregularidade e disse que está à disposição da Justiça para esclarecer os fatos.
A CPI da Covid, que investiga a atuação do governo federal na pandemia, não tem relação direta com o caso, mas Flávio usou o espaço para fazer as acusações. O requerimento para convocar Lulinha para depor foi apresentado pelo senador e deve ser votado na próxima semana.



