Vacina contra dengue do Butantan não é experimento, esclarecem órgãos oficiais
Circula nas redes sociais uma publicação que alega que a aplicação da vacina da dengue do Instituto Butantan foi um "experimento" do governo e que a população brasileira foi usada como "cobaia". A informação é falsa.
O que diz o post?
Publicado no Instagram em 9 de junho, o vídeo ultrapassou 215 mil curtidas. Nele, um homem afirma: "Esse governo foi irresponsável de colocar em aplicação pelos municípios... É um experimento. Fizeram a população brasileira de cobaia". A legenda do post pede "atenção máxima" e alega que a situação é grave.
O que dizem os órgãos oficiais?
O Ministério da Saúde classificou a afirmação como "absolutamente falsa". Em nota, esclareceu que a vacina Butantan-DV passou por todas as etapas de avaliação exigidas pelos órgãos reguladores antes de ser incorporada ao SUS, com resultados que comprovaram segurança e eficácia. A suspensão temporária, adotada por precaução em consenso com a Anvisa, ocorreu após a identificação de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa e vômitos persistentes, dos quais três foram graves, incluindo dois óbitos. O monitoramento é procedimento padrão de farmacovigilância.
A Anvisa também desmentiu a alegação: "Isso é falso. A vacina cumpriu todos os requisitos exigidos para o registro de medicamentos e vacinas e, portanto, não foi aprovada de forma experimental". A Butantan-DV foi aprovada em dezembro de 2025 com base em 16 estudos clínicos de fase 1, além de estudos de fases 2 e 3, que avaliaram mais de 11 mil indivíduos, seguindo padrões internacionais e guias da OMS. O registro da vacina permanece ativo.
O que diz a ciência?
Os resultados da fase 3 foram publicados na revista Nature Medicine. Entre 2016 e 2024, 16.235 voluntários de 2 a 59 anos foram acompanhados em um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. A eficácia geral foi de 65,0%, e contra dengue com sinais de alarme ou grave foi de 80,5%. Não houve registro de reações graves durante a fase de segurança.
O infectologista Maurício Nogueira, que participou dos estudos clínicos, reforçou: "A vacina passou pelos estudos de fase 1, 2 e 3 e foi licenciada pela Anvisa. Não é mais uma vacina experimental. A população não foi usada como cobaia. O monitoramento pós-comercialização (fase 4) é rotina e não experimental". Ele destacou que a vacina continua autorizada pela Anvisa; a não utilização é uma decisão do Ministério da Saúde.
Contexto da vacinação
A Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue em dose única e a primeira totalmente brasileira. A imunização começou em 2025, com foco em profissionais de saúde (417 mil doses) e pessoas de 15 a 49 anos em Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e região de Araguaína (TO) (83,6 mil doses). Não houve relatos de eventos adversos nessas localidades. A suspensão das aplicações ocorreu enquanto as investigações sobre os casos graves e mortes não são concluídas.
Portanto, a afirmação de que a vacina era um experimento e a população foi usada como cobaia é falsa.



