DF Group: empresa de trader preso fez mais de 2 mil vítimas
DF Group: empresa de trader preso fez mais de 2 mil vítimas

A Polícia Civil do Piauí disponibilizou, nesta quinta-feira (16), um formulário online para que pessoas que se consideram vítimas do DF Group possam registrar os prejuízos sofridos e fornecer informações que serão incorporadas à investigação. O fundador e CEO da empresa, Douglas Fonseca, e outras dez pessoas estão presas sob suspeita de estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Estima-se que o número de vítimas ultrapasse 2 mil.

Como participar do registro de vítimas

De acordo com a Polícia Civil, a participação das vítimas é fundamental para que cada situação seja analisada individualmente. O objetivo é reunir informações detalhadas sobre como ocorreram os supostos prejuízos. Para participar, a pessoa deve preencher o formulário com os dados solicitados, assinar o documento digitalmente usando uma conta Gov.br e seguir as orientações indicadas na própria plataforma.

A polícia informou ainda que realiza diligências para identificar, localizar e preservar possíveis bens dos investigados. A medida busca garantir que futuras decisões judiciais possam ser cumpridas. No entanto, a corporação esclareceu que o preenchimento do formulário não significa ressarcimento imediato dos valores perdidos. Uma eventual devolução dos prejuízos depende da conclusão da investigação e do andamento do processo judicial.

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Investigação e crimes apurados

A apuração está registrada no Inquérito Policial conduzido pela Delegacia de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Relações de Consumo (Deccoterc), sob responsabilidade da delegada Marcela Sampaio. Os crimes investigados incluem estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo a polícia, Douglas Fonseca prometia lucros mensais de até 10% para atrair investidores. A empresa ostentava uma vida de luxo nas redes sociais, com carros importados e viagens, para passar uma imagem de sucesso e credibilidade. No entanto, os ganhos seriam fictícios, configurando um esquema de pirâmide financeira.

Nota oficial da defesa

A defesa técnica do DF Group e dos investigados divulgou uma nota oficial contestando as prisões. A defesa afirma que, devido às medidas cautelares em vigor — como prisão temporária, bloqueio de contas e ativos financeiros, suspensão das atividades da empresa e apreensão de documentos e equipamentos —, a empresa está impossibilitada de desenvolver suas atividades e de realizar pagamentos ou qualquer movimentação financeira.

“Enquanto permanecerem essas restrições judiciais, não há viabilidade operacional ou jurídica para a reorganização das atividades da empresa, tampouco para a retomada de qualquer fluxo regular de pagamentos”, diz o texto. A defesa também esclarece que os consultores e parceiros não detêm poder de gestão, administração financeira ou disponibilidade sobre os recursos atualmente atingidos pelas medidas judiciais.

“Lamentamos e repudiamos os relatos de ameaças e constrangimentos dirigidos a consultores, parceiros e familiares, reiterando que essas pessoas não possuem qualquer controle sobre os ativos e recursos atualmente indisponíveis por determinação judicial”, acrescenta.

Posicionamento sobre as prisões

A defesa reitera sua convicção de que as prisões efetuadas são desproporcionais e juridicamente questionáveis, razão pela qual sua legalidade já está sendo discutida no Poder Judiciário. Paralelamente, a defesa informa que segue atuando para buscar a revisão das demais cautelares impostas, por compreender que a retomada das atividades empresariais constitui passo indispensável para a reconstrução da capacidade operacional e financeira da empresa.

“Restabelecidas as atividades, a DF Trader iniciará o processo de contato com todos os investidores para negociar e regularizar as pendências eventualmente existentes da melhor forma jurídica e operacional possível”, afirma a nota.

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Por fim, a defesa informa que toda e qualquer manifestação oficial relacionada ao caso será prestada exclusivamente pelos advogados constituídos pela empresa e pelos investigados, preservando a regularidade das investigações e evitando a circulação de informações imprecisas. Os inquéritos tramitam em sigilo, razão pela qual terceiros não possuem acesso ao conteúdo dos autos nem às informações necessárias para prestar esclarecimentos públicos com segurança e fidelidade aos fatos.