O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou um procedimento para apurar as causas e os impactos do vazamento de gás estireno ocorrido na quarta-feira (15), em uma fábrica do Distrito Industrial de Manaus. A investigação busca esclarecer as circunstâncias do incidente, verificar possíveis danos ao meio ambiente e à saúde pública e identificar eventuais responsáveis.
Detalhes do incidente
O vazamento aconteceu por volta das 17h20 de quarta-feira, em um dos três tanques de monômero de estireno da empresa Innova. Segundo a companhia, o produto sofreu uma elevação anormal de temperatura, o que provocou a liberação de vapores por meio dos dispositivos de segurança do equipamento. O forte odor foi sentido em diferentes regiões da capital amazonense, e trabalhadores e moradores relataram sintomas de mal-estar após a exposição ao produto.
O estireno é um produto químico usado na fabricação de plásticos e borrachas. A substância pode evaporar quando aquecida e formar vapores com odor forte. A exposição pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dor de cabeça, tontura e náusea.
Abertura da investigação
A medida foi adotada por meio da Notícia de Fato nº 01.2026.00005936-8, aberta de ofício pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Especializadas na Defesa do Meio Ambiente, Patrimônio Histórico e Urbanismo (CAO-MAPH-URB), após determinação da procuradora-geral de Justiça do Amazonas, Leda Mara Albuquerque.
A instauração do procedimento foi formalizada em despacho assinado pelo promotor de Justiça Carlos Sérgio Edwards de Freitas. O objetivo é reunir informações sobre o acidente, identificar suas causas, avaliar os impactos ambientais e sanitários e apurar possível responsabilização pelos fatos.
Encaminhamento e medidas iniciais
Após a abertura da investigação, o caso foi encaminhado à 49ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Prodemaph). A promotora de Justiça Ana Cláudia Abboud Daou recebeu os autos nesta quinta-feira (16) e dará continuidade às apurações. Entre as primeiras medidas previstas estão o envio de ofícios aos órgãos e instituições envolvidos na ocorrência para reunir informações que possam subsidiar a investigação.
Ações dos bombeiros
Mais de 24 horas após o início do vazamento, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) continuam atuando no resfriamento dos tanques. Segundo os bombeiros, ainda há liberação de vapores do produto químico, em menor intensidade do que a registrada na quarta-feira, durante o processo de controle da temperatura dos tanques.
Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o comandante-geral dos Bombeiros, coronel Muniz, informou que a área isolada compreende um raio de 300 metros ao redor do tanque onde ocorreu o vazamento. A empresa localizada ao lado da Innova foi evacuada e o isolamento permanece mantido. Apenas equipes envolvidas na resposta à ocorrência, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Defesa Civil e órgãos de saúde, seguem com acesso ao local.
O comandante também informou que será realizada uma perícia para apurar as causas do incidente. Sobre o superaquecimento, Muniz afirmou que a principal hipótese é uma reação espontânea no interior do tanque. "Tudo caminha para uma reação espontânea no interior do tanque. Uma vez que a molécula do estireno se quebra, ocorre uma reação em cadeia que vai superaquecendo o produto", explicou. Segundo ele, caso as válvulas de segurança não fossem acionadas, a reação poderia provocar explosão ou incêndio. "No caso específico da Innova, houve a liberação das válvulas de segurança do tanque. Foi isso que provocou o vazamento observado em jatos verticais, porque o produto estava submetido a alta pressão no interior do reservatório", afirmou.
Atendimentos de saúde
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), foram realizados 149 atendimentos na rede pública de saúde relacionados à ocorrência até as 17h de quinta-feira. Desse total, 140 pacientes receberam alta e nove seguem internados. Os atendidos apresentavam sintomas como falta de ar, tontura, náusea e desmaio. Não há informações sobre o estado de saúde dos pacientes internados.
Posição da empresa
Em nota, a Innova informou que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos de emergência da companhia e que todo o resíduo gerado foi armazenado para tratamento adequado. A empresa afirmou ainda que não houve incêndio, vazamento de produto líquido para fora da área de contenção nem registro de vítimas. "A situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela Companhia", informou. A Innova também declarou que não há risco de desabastecimento para clientes e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Orientações de saúde
A chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, explicou que o estireno evapora com facilidade quando aquecido. "Ele tem odor forte e adocicado. A exposição ao gás estireno pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dores de cabeça, tontura e fadiga. Em concentrações elevadas, pode levar a náuseas e problemas respiratórios. O recomendado é usar a máscara P2, também conhecida como N95".
A Defesa Civil orienta que a população permaneça em locais abertos e bem ventilados, mantenha portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligue aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação. A SES-AM recomenda que pessoas expostas ao produto procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como irritação nos olhos ou na pele, tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão mental, dificuldade para respirar ou perda de consciência.



