A Polícia Federal revelou que os ex-deputados Eduardo Cunha e Valdemar Costa Neto, mesmo sem mandato parlamentar, continuam a se beneficiar de emendas parlamentares, em um esquema que o Supremo Tribunal Federal (STF) classifica como 'privatização do orçamento público'. As investigações apontam que Cunha recebeu recursos destinados a pequenos municípios de Minas Gerais, enquanto Valdemar desviou R$ 119 milhões para aliados políticos.
Esquema de apropriação de emendas
De acordo com a PF, as emendas eram originalmente direcionadas a prefeituras para obras e serviços, mas acabavam sendo controladas por intermediários ligados aos políticos. Cunha, que foi presidente da Câmara dos Deputados e está inelegível, teria usado sua influência para indicar beneficiários e garantir repasses. Já Valdemar, presidente do Partido Liberal (PL), teria desviado os recursos para empresas de fachada e aliados, segundo os investigadores.
Reação do STF e defesa dos políticos
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, afirmou que a prática configura 'uma verdadeira privatização do orçamento público, onde recursos que deveriam atender a população são desviados para interesses privados'. A Corte já determinou a quebra de sigilos bancários e fiscais dos envolvidos. Em nota, a defesa de Cunha negou irregularidades e classificou a investigação como 'politicamente motivada'. Valdemar, por sua vez, não se manifestou até o fechamento desta edição.
Impacto e próximos passos
O caso reacende o debate sobre o controle das emendas parlamentares no Brasil. Especialistas apontam que a falta de transparência nos repasses permite que políticos sem mandato continuem a operar o orçamento. O STF deve julgar nos próximos meses a constitucionalidade do modelo atual de emendas, que permite a indicação de recursos por parlamentares mesmo após o fim de seus mandatos.



