Fantasma da corrupção abala fase de calmaria de Lula
Corrupção abala calmaria de Lula

A investigação sobre desvios na área da Saúde voltou a assombrar o governo Lula, abalando a fase de relativa calmaria que o presidente vinha desfrutando nos últimos meses. A operação da Polícia Federal, deflagrada na manhã desta quinta-feira, mirou um esquema de fraudes em contratos de compra de medicamentos e insumos hospitalares, com a participação de servidores públicos e empresários ligados ao ministério.

Segundo apuração do blog, os fatos ocorreram entre 2023 e 2024, quando o ministério era comandado pela atual deputada federal e ex-ministra da Saúde. A suspeita é de que houve superfaturamento na aquisição de itens como luvas cirúrgicas e seringas, com a conivência de funcionários do alto escalão. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 100 milhões.

Reações imediatas

A oposição reagiu rapidamente, convocando uma coletiva de imprensa no Congresso. O líder da minoria na Câmara, deputado federal, afirmou que o caso é 'a prova de que o governo Lula repete os mesmos erros do passado'. Já a base aliada tenta minimizar, alegando que a operação é uma ação isolada e que o governo tem interesse na apuração.

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O Palácio do Planalto divulgou nota oficial, assinada pela Secretaria de Comunicação Social, na qual afirma que 'o governo respeita as investigações e confia na Justiça'. No entanto, interlocutores do presidente admitem, em off, que a situação é delicada e que o caso pode contaminar a agenda positiva que o governo tenta emplacar, como o pacote de investimentos em infraestrutura.

Impacto na base de apoio

Pesquisa recente do instituto DataPoder, divulgada na semana passada, já mostrava uma queda de 5 pontos percentuais na aprovação do governo após as primeiras denúncias. Com a operação desta quinta, analistas preveem um novo impacto. O cientista político da Universidade de Brasília, em entrevista ao blog, avaliou que 'a corrupção é o calcanhar de Aquiles do lulismo, e qualquer escândalo tende a mobilizar a opinião pública contra o governo'.

No Congresso, a oposição já articula a criação de uma CPI para investigar os contratos do Ministério da Saúde. Para ser instalada, a CPI precisa do apoio de pelo menos 171 deputados. A base governista, que tem maioria numérica, tenta barrar a iniciativa, mas alguns partidos do centrão já sinalizaram que podem aderir, pressionados por suas bases eleitorais.

Histórico recente

Este não é o primeiro escândalo envolvendo a Saúde no governo Lula. Em 2023, uma auditoria do TCU já havia apontado irregularidades em convênios com ONGs. Na época, o ministério se defendeu dizendo que eram problemas pontuais. Agora, com a PF em campo, a situação é mais grave.

O ex-presidente, que sempre negou envolvimento em casos de corrupção, vê sua imagem ser arranhada novamente. Em suas redes sociais, Lula postou uma mensagem enigmática: 'Quem deve, paga. Mas não vamos permitir que a justiça seja usada para perseguir inocentes.' A postagem foi interpretada como uma tentativa de controlar os danos, mas gerou críticas até entre aliados, que a consideraram inoportuna.

Próximos passos

A PF deve ouvir nas próximas semanas os principais envolvidos, incluindo a ex-ministra, que nega qualquer irregularidade. O caso também será analisado pelo STF, já que alguns investigados têm foro privilegiado. A expectativa é que o Supremo defina se a investigação será desmembrada ou se ficará concentrada na corte.

Enquanto isso, o governo tenta manter a agenda positiva. Nesta sexta-feira, Lula participará de uma cerimônia de lançamento do programa de habitação popular no Nordeste, uma de suas prioridades. Mas, nos bastidores, a preocupação é grande. 'O fantasma da corrupção sempre foi usado contra nós. Agora, temos que mostrar que aprendemos com o passado', disse um ministro, sob condição de anonimato.

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