A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu evitar um embate direto com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a respeito da recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu as visitas de Flávio ao pai, Jair Bolsonaro. Em vez de entrar na polêmica sobre a atuação da Corte, a estratégia petista será reforçar a ligação do senador com o chamado caso Master, uma investigação que envolve supostas irregularidades financeiras. O objetivo é conter o discurso de "perseguição" política que Flávio tem tentado construir.
Estratégia de evitar confronto direto
De acordo com fontes da campanha de Lula, a orientação é não dar palco para Flávio Bolsonaro ao responder diretamente às críticas ao STF. A avaliação interna é que os ataques do senador à Corte são direcionados apenas à extrema-direita e não têm capacidade de ampliar seu eleitorado. "Flávio fala para a bolha dele. Se a gente entrar nessa briga, só fortalece o discurso de perseguição que ele quer vender", disse um integrante da coordenação de campanha, sob condição de anonimato.
Reforço do caso Master
Em vez disso, a campanha de Lula pretende intensificar a associação de Flávio Bolsonaro com o caso Master, um esquema de supostas fraudes financeiras que investiga a movimentação de recursos. A ideia é mostrar que o senador não é vítima de perseguição, mas sim alvo de investigações legítimas. "O que persegue Flávio não é o STF, são os fatos. O caso Master é um exemplo claro de como ele usa o discurso de vítima para desviar a atenção", afirmou a mesma fonte.
Discurso de perseguição visto como ineficaz
A campanha petista avalia que a estratégia de Flávio de ampliar os ataques ao STF não consegue atrair novos eleitores para o presidenciável do PL, que ainda não foi oficialmente definido, mas que deve ser Jair Bolsonaro ou um aliado próximo. "O eleitor médio não se identifica com esse discurso radical contra o STF. Só a base mais fiel compra essa ideia de perseguição", avaliou um analista político próximo à campanha. A decisão de Moraes, que suspendeu as visitas de Flávio ao pai, foi vista como mais um elemento nessa narrativa, mas a campanha de Lula prefere não alimentar a polêmica.
Impacto na corrida eleitoral
A postura da campanha de Lula reflete uma estratégia mais ampla de evitar temas que possam polarizar ainda mais o debate e desgastar a imagem do STF. Ao focar no caso Master, os petistas esperam desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro sem precisar entrar em uma discussão jurídica sobre a decisão de Moraes. Resta saber se essa abordagem será eficaz para conter o discurso de perseguição e influenciar o eleitorado nas próximas eleições.



