Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro criticaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai. A medida foi tomada após Flávio divulgar nas redes sociais, no último final de semana, um vídeo com uma carta escrita pelo ex-presidente. Moraes argumentou que a ação burlou a proibição imposta a Bolsonaro de utilizar redes sociais.
Decisão de Moraes e reação dos aliados
A suspensão das visitas gerou forte reação entre apoiadores de Bolsonaro, que veem na decisão uma interferência política e uma violação de garantias fundamentais. Nas redes sociais, parlamentares e lideranças bolsonaristas compararam a situação à carta escrita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, quando estava preso em Curitiba. Na ocasião, Lula também teve suas comunicações restritas, mas a carta foi divulgada publicamente.
“É mais um capítulo da perseguição política contra Bolsonaro. Enquanto Lula pôde escrever cartas e até ser candidato, Bolsonaro é impedido de se comunicar com o filho”, afirmou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em publicação no X (antigo Twitter).
O vídeo e a carta de Bolsonaro
No vídeo publicado por Flávio, o ex-presidente aparece segurando uma carta manuscrita, na qual critica o governo Lula e defende sua inocência. A publicação ocorreu horas antes de um ato convocado por apoiadores em Brasília. A defesa de Bolsonaro afirmou que a carta foi escrita antes da proibição das redes sociais, mas Moraes entendeu que a divulgação configurava descumprimento da medida cautelar.
“A decisão de Moraes é desproporcional e fere o direito de defesa. A visita de um filho ao pai não pode ser usada como moeda de troca política”, declarou o senador Marcos do Val (Podemos-ES), em entrevista à imprensa.
Comparação com o caso Lula
Aliados de Bolsonaro destacam que, em 2018, Lula escreveu uma carta endereçada ao povo brasileiro, que foi lida em atos públicos e amplamente divulgada pela imprensa. Na época, o então juiz Sergio Moro permitiu a divulgação, o que gerou críticas de setores jurídicos. “A diferença é que Lula não estava proibido de se comunicar, mas mesmo assim a carta foi usada politicamente. Agora, Bolsonaro é punido por algo semelhante”, comparou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A decisão de Moraes também foi criticada por juristas ligados ao bolsonarismo, que apontam possível cerceamento do direito de defesa e da liberdade de expressão. O advogado de Bolsonaro, Paulo Bueno, informou que recorrerá da decisão.
Impacto político e jurídico
A suspensão das visitas ocorre em meio a um cenário de tensão entre o STF e o bolsonarismo. Flávio Bolsonaro, que é senador da República, afirmou que a medida é uma “retaliação” e que continuará a defender o pai. “Não vou me calar. A verdade precisa ser dita, mesmo que tentem nos silenciar”, escreveu o senador em suas redes.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a decisão de Moraes pode ter implicações no processo que investiga Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. A defesa do ex-presidente argumenta que as restrições já impostas são excessivas e que a proibição de visitas familiares agrava a situação.
Até o momento, o STF não se manifestou oficialmente sobre as críticas. A assessoria de imprensa de Alexandre de Moraes informou que o ministro não comentará decisões individuais.



