A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga se o ator Vitor Feitosa, agredido com uma cabeçada no Shopping da Gávea, na Zona Sul do Rio, também foi vítima de injúria racial. A informação foi confirmada pelo delegado titular da 14ª DP (Leblon), que conduz o inquérito. O aditamento foi feito nesta segunda-feira (13).
Novas diligências e oitivas
Além de solicitar novas diligências, a delegacia vai ouvir Vitor Feitosa novamente na terça-feira (14). Outras testemunhas também serão chamadas para depor. A polícia também ouvirá o investigado, Fernando Luiz Prado de Moura, apontado como autor da agressão.
O vídeo da agressão
Imagens obtidas pelo g1 mostram o momento em que Vitor Feitosa, homem negro vestindo camisa regata vermelha, gorro preto, bermuda e bolsa vermelha, aproxima-se de um homem de blazer cinza. Segundo Vitor, ele havia buscado o filho de 3 anos na creche próxima ao shopping e procurava o banheiro familiar. Ele afirma que abordou o homem porque este também estava acompanhado de outra criança. Após alguns segundos de conversa, a cabeçada ocorre.
Silêncio do agressor
O g1 contatou Fernando Luiz Prado de Moura, mas não obteve resposta até a última atualização. Na delegacia, ele permaneceu em silêncio e exerceu o direito de se manifestar apenas em juízo.
Relato do ator
O caso aconteceu no dia 23 de junho, pouco antes das 18h. Segundo Vitor, o homem interpretou que ele estava pedindo dinheiro. “Assim que pedi a informação, a resposta dele foi imediata e violenta: disse que não me daria dinheiro, mandou que eu sumisse dali com meu filho e, em seguida, me agrediu com uma cabeçada no rosto”, relatou.
Vitor, que é negro, acredita que a agressão não teria ocorrido se a pergunta tivesse sido feita por uma pessoa branca. “Diante da minha indignação, ele passou a repetir, com total arrogância, que ‘não daria em nada’ porque eu não sabia quem ele era, e que eu ‘não era ninguém’”, afirma.
Para o ator, o fato de o homem ter dito que não daria dinheiro, sem que ele tivesse pedido, foi uma manifestação de racismo velado. “Eu me senti invadido, fiquei muito triste em pensar o que meu filho poderia estar formando na mente dele, mesmo sendo pequeno”, desabafa.
Posicionamento da polícia
A Polícia Civil informou que a investigação está em andamento na 14ª DP (Leblon) e que “a tipificação inicial de um registro não define a conclusão da investigação, podendo ser ajustada no curso do procedimento, à medida que novos elementos são apurados.” A corporação acrescenta que “a definição final sobre a natureza do fato decorre de uma investigação técnica e criteriosa, baseada em provas, diligências e análise de todas as evidências obtidas ao longo do inquérito.”
Nota do shopping
O Shopping da Gávea, em nota, informou que “repudia qualquer tipo de violência”.



