A Polícia Federal prendeu pela segunda vez o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, do União Brasil, no âmbito da 5ª fase da Operação Unha e Carne. A investigação aponta a ligação do político com o grupo do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
Mercedes blindada na casa de Bacellar
De acordo com a PF, um dos principais elementos da investigação é um Mercedes-Benz GLE 400 blindado, encontrado na casa de Bacellar em Teresópolis, durante o primeiro mandado de busca em dezembro de 2024. O caseiro afirmou que o carro era 'da casa', mas os registros do Detran indicaram que o veículo pertencia a uma empresa do filho do empresário Marcos Alexandre Barros Rodrigues, dono de gráficas ligadas a Adilsinho.
Movimentação financeira e fraudes eleitorais
A PF destaca que uma das empresas, a Gráfica Editora Completa, prestou serviços a 73 candidatos nas eleições de 2022, movimentando cerca de R$ 1,5 milhão, quase integralmente de fundos públicos eleitorais. Sete dias após a deflagração da operação, o grupo promoveu alteração societária fraudulenta para desvincular o veículo dos operadores financeiros, o que pode caracterizar obstrução da Justiça.
Uso de aeronaves de luxo
A investigação também apura o uso de aeronaves. Bacellar e familiares tinham à disposição uma frota de jatos de empresários. Um deles, um jato da empresa GPC Soluções em Saúde, foi usado pela esposa de Bacellar em viagem de Jacarepaguá a Campos dos Goytacazes e retorno ao Santos Dumont. A empresa não possui autorização para táxi aéreo e mantém três contratos com o estado do Rio, via Fundação Saúde, totalizando mais de R$ 60 milhões, todos firmados com dispensa de licitação.
Indícios de vantagem indevida
Para a PF, a cessão de aeronave de luxo para uso privado da família do então presidente da Alerj por empresa que recebe milhões dos cofres públicos é 'indício relevante de recebimento de vantagem indevida, conflito de interesses e ocultação de benefício econômico'.
Defesa de Bacellar e transferência para presídio federal
A defesa de Rodrigo Bacellar afirmou que ele não possui 'mínima vinculação com os fatos apurados' e que a instrução processual confirmará essa conclusão. Os advogados disseram não ter tido acesso aos autos após a operação de 2 de julho e classificaram a situação como 'absurda e ilegal'. Bacellar foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que apontou privilégios na unidade anterior, como acesso a celulares.
Outros citados e respostas
A GPC Soluções em Saúde negou contratos ativos com o estado e afirmou que as contratações resultaram de licitações públicas. A Fundação Saúde informou que o último contrato foi encerrado em março de 2026. A defesa de Adilsinho negou relação com gráficas e pagamentos a agentes públicos. O g1 não obteve retorno de Igor e Marcos Alexandre Rodrigues.



