Bill Gates, fundador da Microsoft, prestou depoimento ao Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira (10) e afirmou que não compreendia totalmente a gravidade dos crimes de Jeffrey Epstein quando se associou a ele para arrecadar fundos para sua fundação filantrópica. Gates também declarou que nunca testemunhou qualquer conduta criminosa por parte de Epstein e o acusou de chantageá-lo devido a seus casos extraconjugais. As informações são da agência Reuters.
Detalhes do depoimento
Em sua declaração de abertura, Gates disse: "Esses casos não tinham nada a ver com minhas interações com Epstein, mas foram dolorosos para minha família. Epstein estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades — além de muitas mentiras que acrescentou — para me pressionar a retomar o contato com ele." O depoimento foi prestado de forma privada ao Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes, que investiga possíveis falhas federais na condução dos casos contra Epstein, sua associada Ghislaine Maxwell e questões relacionadas.
Investigação sobre o Departamento de Justiça
O Congresso investiga como o Departamento de Justiça dos EUA conduziu o caso Epstein. O deputado James Comer, presidente republicano do comitê, solicitou em março que Gates comparecesse para uma entrevista presencial transcrita. Gates contratou Jake Greenberg, ex-investigador do comitê de supervisão, para se preparar para o depoimento. Um porta-voz do comitê afirmou que o painel não mantém vínculo com Greenberg desde sua saída.
Histórico de Epstein
Jeffrey Epstein se declarou culpado em 2008 de uma acusação criminal estadual de prostituição na Flórida e cumpriu 13 meses de prisão. Em 2019, promotores federais o acusaram de tráfico sexual de menores, mas ele se declarou inocente e morreu na prisão, em um evento considerado suicídio, antes do julgamento.
Vínculos entre Gates e Epstein
Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça neste ano indicam que Gates e Epstein se encontraram repetidamente após a prisão de Epstein em 2008 para discutir esforços filantrópicos. As divulgações incluem fotos de Gates posando com mulheres cujos rostos foram ocultados. Gates já afirmou anteriormente que a relação com Epstein se limitava a discussões filantrópicas e que foi um erro encontrá-lo. Em fevereiro, Gates "assumiu a responsabilidade por suas ações" em uma reunião com funcionários da Fundação Gates, conforme um porta-voz da organização.
Fundação Gates sob escrutínio
A relação de Gates com Epstein também envolveu a Fundação Gates, que iniciou uma revisão externa sobre o relacionamento com o financista em abril. E-mails divulgados em janeiro mostraram comunicações entre Epstein e funcionários da fundação.
Escopo da investigação
A comissão da Câmara analisa a condução de investigações e processos judiciais, acordos, a morte de Epstein, falhas no combate ao tráfico sexual, preocupações éticas e atrasos na divulgação de arquivos governamentais. A liberação de milhões de documentos internos revelou vínculos de Epstein com figuras proeminentes da política, finanças, academia e negócios, incluindo o presidente Donald Trump, que manteve convivência social com Epstein nas décadas de 1990 e 2000.



