O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) cobra do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a celeridade em processos disciplinares que punem parlamentares por ocuparem a Mesa Diretora sem autorização. A demora na tramitação desses casos tem gerado insatisfação entre os partidos de oposição, que acusam o atual presidente de protelar decisões para beneficiar aliados políticos.
Contexto da cobrança
A ocupação da Mesa da Câmara por deputados da direita, sem permissão, ocorreu durante sessões polêmicas no início do ano. O PSOL, autora das representações, alega que os infratores devem ser punidos com base no Regimento Interno, que prevê sanções como advertência, suspensão ou perda de mandato. No entanto, os processos estão parados na Corregedoria da Casa, sem previsão de julgamento.
Em nota oficial, a liderança do PSOL afirmou que “a inércia de Hugo Motta compromete a credibilidade do Parlamento e incentiva novas infrações”. O partido cobra que o presidente paute os casos no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar o mais rápido possível.
Resposta de Hugo Motta
Até o momento, Hugo Motta não se pronunciou diretamente sobre a cobrança. Assessores da presidência informaram que os processos seguem o rito normal e que não há intenção de atrasar deliberadamente. Ainda assim, a oposição promete intensificar a pressão, inclusive com a possibilidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o andamento dos casos.
A situação expõe as tensões entre os blocos partidários na Câmara, especialmente em um ano eleitoral, quando a disputa por espaço político se acirra. A Mesa Diretora, composta por membros de diferentes legendas, tem sido palco de embates que refletem a polarização nacional.
O que diz o regimento
De acordo com o Regimento Interno da Câmara, ocupar a Mesa sem autorização constitui infração disciplinar de média gravidade. As penalidades vão desde advertência verbal até a suspensão do exercício do mandato por até 30 dias. Caso haja reincidência, o deputado pode perder o cargo. O PSOL defende a aplicação rigorosa da norma, como forma de coibir abusos e garantir a ordem nas sessões.
Enquanto isso, Hugo Motta busca consolidar sua base de apoio para futuras votações importantes, como a reforma tributária e o orçamento de 2025. A demora nos processos pode ser interpretada como uma tentativa de não desgastar aliados da direita, que compõem a maioria na Casa. No entanto, a pressão do PSOL e de outros partidos de esquerda pode obrigá-lo a agir.
A expectativa é que o tema seja discutido na próxima reunião de líderes, marcada para a semana que vem. O PSOL já adiantou que não recuará e que levará a cobrança ao plenário, se necessário.



