O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), classificou como “autoritária e desproporcional” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu as visitas do pré-candidato ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por 90 dias. A medida foi tomada no âmbito de um processo que investiga suposta propaganda eleitoral antecipada.
Decisão de Moraes e justificativa
O ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão temporária das visitas de Flávio Bolsonaro a Jair Bolsonaro, alegando que o pré-candidato utilizou uma carta divulgada durante um encontro com o pai para fazer propaganda eleitoral antecipada. Segundo Moraes, o conteúdo da carta teria conotação política e poderia influenciar o eleitorado antes do período permitido pela legislação eleitoral.
A decisão foi tomada em caráter cautelar, como parte de uma investigação que corre em segredo de justiça. O STF não detalhou o teor completo da carta, mas fontes indicam que ela continha críticas ao governo atual e defesa de pautas conservadoras, associadas à imagem de Jair Bolsonaro.
Reação de Rogério Marinho
Em nota à imprensa, Marinho afirmou que a decisão representa “clara interferência no jogo político” e que há “perseguição política” contra a família Bolsonaro. “É uma medida desproporcional e autoritária. Enquanto Lula recebia visitas regularmente na prisão, agora um pré-candidato é impedido de ver o próprio pai. Isso é tratamento desigual e fere o direito de defesa”, declarou o senador.
Marinho também comparou a situação com o período em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso em Curitiba, entre 2018 e 2019, quando recebia visitas de familiares e políticos sem restrições semelhantes. “Naquela época, não houve qualquer impedimento. Agora, com Flávio, criam-se obstáculos artificiais para prejudicar sua campanha”, completou.
Impacto na campanha eleitoral
A suspensão das visitas ocorre em um momento crucial para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, que busca consolidar seu nome como candidato ao governo do Rio de Janeiro. A medida pode limitar a capacidade do pré-candidato de coordenar estratégias com o pai, que continua sendo uma figura influente entre eleitores conservadores.
Analistas políticos apontam que a decisão de Moraes pode ter efeitos tanto positivos quanto negativos. Por um lado, reforça a narrativa de perseguição política, que tende a mobilizar a base bolsonarista. Por outro, pode gerar desgaste jurídico e reduzir a exposição midiática de Flávio, que depende do contato com o pai para manter o engajamento dos apoiadores.
Até o momento, a defesa de Flávio Bolsonaro não informou se recorrerá da decisão. O pré-candidato, por sua vez, usou as redes sociais para criticar o STF, sem mencionar diretamente a suspensão.



