A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) manifestou nesta quinta-feira (18) sua crença na inocência do senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo da Operação Compliance Zero, que investiga ramificações do caso Banco Master. Em entrevista à rádio BandNews FM, em Curitiba, a ex-ministra ponderou que, caso surjam provas de participação do congressista, ele deverá arcar com as consequências.
Declarações de Gleisi Hoffmann
“Ouvi ele falando sobre isso [detalhes da investigação]. Acredito no Jaques, que ele não tem nada a ver. Agora, se houver comprovação de envolvimento, benefício pessoal, ele precisa responder. Ninguém está isento”, declarou a deputada. Ela também afirmou ter recebido explicações do líder do PT no Senado sobre o CredCesta, operação de cartão consignado para servidores públicos que, segundo Wagner, foi vendida antes da entrada do Banco Master como sócio.
Defesa da investigação e críticas a Flávio Bolsonaro
Gleisi defendeu a continuidade das apurações e a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para esclarecer o caso. Na mesma entrevista, ela voltou a mencionar suspeitas envolvendo o pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), classificando como “muito graves” os áudios divulgados pelo The Intercept, que sugerem envio de dinheiro ao exterior e ligações entre o parlamentar e Daniel Vorcaro.
Operação Compliance Zero
Na quinta-feira, Jaques Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão em endereços na Bahia e em Brasília. Em um dos locais, agentes apreenderam US$ 49 mil em espécie, cerca de R$ 253 mil. As investigações apuram se o senador recebeu de Daniel Vorcaro um apartamento avaliado em mais de R$ 2,4 milhões. Segundo a Polícia Federal, Wagner também teria viajado com frequência em jatos do banqueiro e recebido pagamentos do Banco Master por meio de uma empresa ligada à esposa de seu enteado, Bonnie Bonilha.
Transações e medidas cautelares
A PF afirma que Bonnie Bonilha recebeu aproximadamente R$ 11 milhões do Master por meio de um contrato de consultoria com a BK Financeira, com repasses feitos por intermediários também investigados. Diante dos indícios, o ministro do STF André Mendonça impôs medidas cautelares a Wagner, incluindo a proibição de contato com outros investigados (exceto seu enteado Eduardo Sofré e Bonnie Bonilha), a proibição de contato com pessoas ligadas às negociações e à reforma do apartamento sob investigação, e a vedação ao exercício de qualquer atividade econômica em conjunto com os demais alvos da operação.



