A Polícia Federal cancelou, na última quarta-feira (17), os portes de arma funcional de todos os 114 guardas civis municipais de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. A medida foi tomada devido à falta de documentação e ao descumprimento de normas federais para o uso de armamento público. A partir de quinta-feira (18), os agentes estão impedidos de sair às ruas armados.
Prazo para regularização
A Prefeitura de Ribeirão Pires, sob gestão do prefeito Guto Volpi (PL), tem dez dias para apresentar à PF a documentação necessária para que a Guarda Civil Municipal (GCM) retome os portes de arma. Entre as exigências estão a comprovação de provas de tiro, testes psicológicos e outros documentos e certidões.
O secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Rangel Ferreira, afirmou que o município está realizando o levantamento dos documentos e auditando os armamentos para responder à PF o mais rápido possível. Ele garantiu que a segurança da cidade será mantida com o reforço da Polícia Militar.
Armamentos recolhidos
As armas dos guardas foram recolhidas e estão guardadas em uma sala cofre, sob responsabilidade do comandante da Guarda, com participação da Polícia Militar. A medida visa preservar o material até que as licenças sejam retomadas.
Investigação do MP
Paralelamente ao cancelamento das licenças, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investiga uma possível formação de milícia dentro da GCM de Ribeirão Pires. Pelo menos 20 guardas prestaram depoimento relatando casos de assédio moral, abuso de autoridade e desvio de bens públicos.
O promotor Jonathan Vieira de Azevedo, responsável pela investigação, afirmou que as denúncias revelam um padrão preocupante de condutas que comprometem a coesão interna da corporação. Ele recomendou o afastamento do subcomandante Antônio Carlos de Brito Araujo e do corregedor Edvaldo Rhein.
Envolvimento de ex-secretário
O ex-secretário de Segurança Sandro Torres Amante, condenado por furto de dois açougues em 2018, também é investigado. Segundo depoimentos, ele ainda exerce influência na corporação e seria o líder da suposta milícia.
Reforço da PM
A Polícia Militar já reforçou o policiamento na cidade para preencher o vácuo operacional deixado pela GCM. O promotor garantiu que a população não ficará desprotegida e que o policiamento ostensivo será mantido.



