A Câmara dos Deputados gastou R$ 40 milhões em ações de divulgação das atividades parlamentares durante o primeiro semestre de 2026, ano eleitoral. O montante é 30% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram gastos R$ 30,8 milhões.
Detalhamento dos gastos
Os recursos foram utilizados para produção de conteúdo em redes sociais, sites oficiais, campanhas publicitárias e programas de rádio e TV. A maior parte dos gastos, cerca de R$ 25 milhões, foi destinada à produção de vídeos e materiais gráficos destacando ações individuais de deputados.
Outros R$ 10 milhões foram aplicados em impulsionamento de conteúdo nas redes sociais, e R$ 5 milhões em produção de programas de rádio e TV transmitidos pela Rádio Câmara e TV Câmara.
Críticas e defesa
Especialistas em direito eleitoral criticam o uso de dinheiro público para promoção pessoal de parlamentares em ano de eleição. Para o advogado eleitoral João Costa, a prática fere o princípio da impessoalidade e pode configurar abuso de poder político.
A Câmara, por sua vez, defende que as ações são legais e visam informar a população sobre o trabalho legislativo. Em nota, a assessoria de imprensa da Casa afirmou que "a divulgação das atividades parlamentares é um direito do cidadão e um dever do Legislativo".
Comparativo com anos anteriores
Em 2024, ano sem eleições, a Câmara gastou R$ 45 milhões no primeiro semestre. Em 2023, foram R$ 38 milhões. O aumento em 2026, mesmo com ajustes pela inflação, é significativo e acende alerta entre os órgãos de controle.
O Tribunal de Contas da União (TCU) já abriu auditoria para verificar a regularidade dos gastos. A Procuradoria Eleitoral também pode investigar se houve uso indevido da máquina pública em benefício de candidatos.
A discussão ocorre em meio a um cenário de restrições orçamentárias e cortes em áreas como saúde e educação. Enquanto a Câmara gasta milhões em propaganda, o governo federal anunciou contingenciamento de R$ 15 bilhões no orçamento de 2026.



