CCJ aprova PEC que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos
CCJ aprova redução da maioridade penal para 16 anos

CCJ aprova PEC que reduz maioridade penal para 16 anos

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2015, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil. O texto foi aprovado por 44 votos a favor e 18 contra. Agora, cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), criar uma comissão especial para debater o tema. Posteriormente, a matéria segue para o Plenário, onde precisará de 308 votos favoráveis, em dois turnos de votação.

A decisão da CCJ ocorre em um cenário de divergências entre especialistas e parlamentares sobre a redução da maioridade penal. Pesquisas de opinião recentes indicam apoio popular de 84% a 90% à medida. As opiniões se dividem entre a pressão popular por justiça e o receio de que as prisões se tornem escolas do crime.

Principais pontos da PEC

  • Redução da maioridade penal: Altera o artigo 228 da Constituição Federal, estabelecendo que a maioridade penal seja atingida aos 16 anos, tornando o jovem penalmente imputável.
  • Separação de outros presos: Determina que adolescentes de 16 a 18 anos cumpram pena em estabelecimentos distintos dos presos maiores de 18 anos.
  • Foco em crimes graves: O relator na CCJ, Coronel Assis (PL-MT), defendeu que, no debate de mérito, a mudança seja aplicada especificamente a crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

Visão dos especialistas

Em 13 de maio, a CCJ promoveu audiência pública para ouvir estudiosos e profissionais sobre a PEC. Veja os principais argumentos apresentados:

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A favor da redução

  • Viabilidade jurídica: O professor Fabrício Mendes (IDP) afirmou que a PEC não viola cláusulas pétreas, e o artigo 228 da Constituição não deve ser uma muralha contra mudanças sociais.
  • Política criminal: Juristas como Miguel Reale Júnior consideram a inimputabilidade uma opção de política criminal, não um direito individual irreformável.
  • Inibir o crime: O relator Coronel Assis citou estudos indicando que a punição mais rígida após os 18 anos reduz em 63% as prisões por homicídio.
  • Discernimento: Deputados como Carlos Jordy (PL-RJ) e Bia Kicis (PL-DF) sustentam que jovens de 16 anos têm pleno discernimento de seus atos.
  • Clamor popular: Pesquisas de opinião mostram que até 90% da população apoia a redução.

Contra a redução

  • Inconstitucionalidade: A promotora Danielle Cavali Tuoto (CNMP) classificou a proposta como inconstitucional por atingir direitos fundamentais.
  • Lotação do sistema prisional: O sistema prisional, com 227 mil mandados em aberto, não teria capacidade para receber adolescentes.
  • Reincidência: Deila Martins (Conanda) e Livia de Souza Vidal (MDH) apontaram que a reincidência no sistema adulto (42,5%) é superior à do sistema socioeducativo (23,9%).
  • Facções: A OAB e outras entidades defenderam que levar jovens para presídios facilitaria o recrutamento por facções.
  • ECA e educação: Deputados como Paulo Teixeira (PT-SP) e Talíria Petrone (PSOL-RJ) defendem o fortalecimento do ECA e investimentos em educação.

Experiências internacionais

  • Argentina: Reduziu a maioridade de 16 para 14 anos em crimes graves.
  • Reino Unido: Responsabilidade penal a partir dos 10 anos.
  • Suécia: Discute reduzir de 15 para 13 anos.
  • Dinamarca: Reduziu de 15 para 14 anos em 2010, mas reverteu em 2012 devido ao aumento da reincidência.
  • Estados Unidos: Varia entre 12 e 16 anos.
  • China: Maioridade penal aos 14 anos para crimes graves.