O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou nesta quarta-feira aos cargos de chefe de governo e líder do Partido Trabalhista. A decisão ocorre em meio a uma crise política e econômica que, segundo analistas, reflete a "década perdida" desde o plebiscito do Brexit em 2016.
Previsões negativas se concretizam
As advertências feitas por economistas e especialistas antes do referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia se tornaram realidade. O PIB britânico cresceu apenas 0,5% no último trimestre, enquanto a inflação permanece acima de 4%, e o comércio com a UE caiu 15% desde 2020. "Os dados confirmam que o Brexit prejudicou a economia, mas o debate político ainda evita enfrentar o custo real", afirmou o professor de economia política da London School of Economics, Simon Hix.
Impacto político e social
A renúncia de Starmer ocorre após a perda de apoio interno e pressão de setores do Partido Trabalhista. Pesquisas recentes mostravam que 62% dos britânicos consideram o Brexit um fracasso, mas apenas 23% defendem o retorno imediato à UE. "Há um cansaço com a instabilidade, mas também receio de reabrir o debate", disse a cientista política da Universidade de Oxford, Jane Green. A polarização dificulta qualquer movimento de reversão.
Perspectivas futuras
Apesar das dificuldades, especialistas consideram improvável um novo referendo ou adesão ao bloco nos próximos anos. As negociações comerciais pós-Brexit continuam tensas, e o governo interino enfrenta desafios como a crise energética e o aumento do custo de vida. "O legado de Starmer será o de um líder que tentou administrar os danos, mas não conseguiu reverter o curso", concluiu o editorial do jornal The Guardian.



