O ministro Guilherme Boulos criticou duramente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por segurar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1. Em declaração nesta terça-feira, Boulos afirmou que Alcolumbre está 'errando feio' e 'brincando com fogo' ao não dar andamento à proposta, que já conta com amplo apoio popular e de parlamentares. 'Não há justificativa para a proposta permanecer parada na Casa', disse o ministro.
PEC beneficia 37 milhões de trabalhadores
A PEC em questão propõe a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e a extinção da escala 6x1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. Segundo estimativas do governo, a medida beneficiaria cerca de 37 milhões de trabalhadores brasileiros, especialmente os que atuam no comércio e na indústria. Boulos destacou que a demora na votação sugere que interesses políticos estão se sobrepondo ao interesse público.
Tensão entre Planalto e Senado
A crítica de Boulos ocorre em meio a um cenário de crescente tensão entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado. Alcolumbre tem sido alvo de pressão de diversos setores para pautar a PEC, mas alega que a proposta precisa de mais discussão e ajustes. 'O que vemos é um jogo político que atrasa direitos dos trabalhadores. O Brasil não pode esperar', afirmou Boulos, que também cobrou celeridade na aprovação de outras pautas trabalhistas.
Reações e próximos passos
Parlamentares da base aliada ao governo se mobilizam para coletar assinaturas e forçar a inclusão da PEC na pauta do Senado. Enquanto isso, entidades sindicais e movimentos sociais organizam atos em Brasília para pressionar pela votação. Boulos reforçou que o ministério continuará dialogando com os senadores, mas deixou claro que a paciência do governo tem limite. 'Não vamos aceitar que uma proposta tão importante para o povo brasileiro fique engavetada por manobras políticas', concluiu.



