Um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) sobreviveu a um atropelamento por motocicleta em uma estrada vicinal próxima à área urbana de Cerqueira César, interior de São Paulo, na noite de domingo (28). O animal foi resgatado pela Defesa Civil e encaminhado para atendimento veterinário.
Resgate e primeiros socorros
Segundo o biólogo Thiago Godoi, secretário de Meio Ambiente e coordenador da Defesa Civil do município, um morador que voltava do trabalho de moto não conseguiu desviar do animal silvestre que estava na pista, resultando no acidente. “Uma equipe da Defesa Civil foi até o local e constatou que o animal estava vivo. Em uma avaliação rápida, aparentemente ele não sofreu nenhum ferimento externo”, relatou Godoi ao g1.
Após a avaliação inicial, o tamanduá foi levado à clínica veterinária municipal. Devido às boas condições clínicas e como precaução, na segunda-feira (29) ele foi transferido para o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (CEMPAS), em Botucatu (SP).
Identificação e características da espécie
O biólogo, especialista em manejo e preservação de fauna silvestre e exótica, foi o responsável pelo transporte do animal até o centro. Lá, um veterinário informou que se trata, provavelmente, de uma fêmea adulta. “Esse animal é um símbolo de resistência pra mim, e toda vez que tenho a oportunidade de ajudar um a voltar pra casa é um sentimento de dever cumprido. Sou fã desse bicho”, declarou Godoi.
O tamanduá-bandeira é a maior das quatro espécies de tamanduás do mundo, medindo de 2 a 2,5 metros de comprimento e pesando até 50 quilos. “Ele é banguela, não tem mandíbula. A língua dele é bem grande, com cerca de 60 centímetros, podendo entrar e sair da boca até 160 vezes por minuto”, explicou o biólogo.
Riscos de extinção e alerta à população
A espécie corre risco de extinção, encontrada principalmente na América do Sul e Central. Sofre com caçadores, perda de habitat, queimadas e é uma das espécies da fauna brasileira que mais morrem nas estradas do país. Godoi alertou: “Todo avistamento de animais deste porte em áreas urbanas deve ser comunicado o mais rápido possível às autoridades. Apesar de pacífico, em hipótese alguma deve-se manusear um animal assim sem o devido conhecimento. Ele sabe se defender muito bem e possui garras que podem fazer um estrago”.



