O jornal norte-americano Washington Post publicou análise nesta quarta-feira (22) indicando que as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump podem se tornar um trunfo eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa de 2026. Segundo o artigo, a política protecionista de Trump reforça a narrativa de Lula como defensor da indústria nacional e da soberania econômica.
Contexto das tarifas
Trump anunciou tarifas de até 200% sobre medicamentos genéricos importados, medida que afeta diretamente o Brasil, um dos maiores fornecedores de genéricos para os EUA. A ação faz parte de uma escalada protecionista que inclui sobretaxas sobre aço, alumínio e outros produtos brasileiros.
Para o Washington Post, a reação de Lula, que criticou as tarifas como "agressão comercial", pode capitalizar o descontentamento interno. "Lula pode usar isso para se apresentar como o líder que enfrenta os interesses estrangeiros", afirma o texto.
Impacto eleitoral
Pesquisa PoderData divulgada nesta semana mostra que a avaliação negativa de Lula caiu 10 pontos percentuais após o anúncio das tarifas, sugerindo que a postura firme do governo pode estar repercutindo positivamente. O levantamento indica que 45% dos entrevistados aprovam a forma como Lula lida com a economia, ante 35% antes do tarifaço.
O Washington Post ressalta que a disputa de 2026 será acirrada, com o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível, mas a direita buscando novos nomes. "As tarifas de Trump dão a Lula um inimigo externo claro, algo que historicamente beneficia incumbentes", escreve o jornal.
Reações no Brasil
O governo brasileiro estuda usar a Lei de Reciprocidade, que permite retaliações comerciais contra países que impõem barreiras. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que "não vamos aceitar passivamente medidas unilaterais".
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney divergem sobre o impacto real. O economista José Roberto Afonso, do Ibre/FGV, avalia que "a retórica protecionista pode render votos, mas o efeito concreto sobre o PIB é limitado". Já a consultoria Eurasia Group projeta que as tarifas podem reduzir o crescimento brasileiro em 0,3 ponto percentual em 2026.



