Policiais civis da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) prenderam, nesta quarta-feira, em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio, Leandro Ferreira Marçal, condenado em primeira instância por integrar uma organização criminosa que, segundo as investigações, atuava na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e mantinha conexões com o Comando Vermelho. Ele era apontado como operador do ex-deputado estadual Tiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Jóias, identificado na investigação como o braço político do grupo criminoso.
Função comissionada como fachada
Nomeado para um cargo comissionado no gabinete do então deputado TH Jóias, segundo as investigações, Marçal usava a função para recolher e transportar altas quantias de dinheiro do crime. A nomeação, de acordo com a Polícia Civil, servia como fachada para facilitar a circulação dos recursos do grupo criminoso. Segundo o processo, que tramitou na 2ª Vara Federal Criminal, Leandro integrava o núcleo logístico e financeiro da organização criminosa.
Contato com chefes do tráfico
As investigações apontaram que ele mantinha contato frequente com chefes do tráfico no Complexo do Alemão, entre elas Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, de quem recolhia valores em dinheiro vivo, como R$ 100 mil destinados a TH Jóias e R$ 90 mil para outros integrantes do grupo. Ainda de acordo com a apuração, a nomeação no gabinete parlamentar funcionava como fachada para facilitar a circulação de recursos ilícitos.
Condenação e prisão preventiva
Marçal foi condenado a seis anos e seis meses de prisão pelo crime de integrar organização criminosa, com agravante prevista na Lei nº 12.850/2013. A sentença também determinou a perda da função pública. O Judiciário negou o direito de recorrer em liberdade e decretou a prisão preventiva, citando a gravidade dos fatos e a inserção do condenado na estrutura criminosa. Após a prisão, ele será encaminhado à Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen), onde passará por audiência de custódia.
Extensão do Comando Vermelho
De acordo com um relatório da Polícia Federal, a rede montada em torno de TH Joias fez com que seu mandato fosse transformado numa extensão do CV que reunia no mesmo esquema políticos, assessores, empresários, operadores financeiros, policiais e chefes do tráfico. A investigação revelou conexões que iam da Alerj ao Paraguai, passando por comunidades dominadas pelo crime e chegando a gabinetes oficiais.
Ainda conforme a investigação, era por meio de seus assessores e operadores que o ex-deputado facilitava a compra e a venda de drogas, munição e equipamentos de segurança, como bloqueadores de drones. Dessa forma, o grupo agia diretamente no abastecimento de chefes do tráfico que dominam comunidades cariocas. O dinheiro obtido com as transações ilegais era, ainda conforme a apuração policial, ocultado por meio de negócios lícitos, como lojas e investimentos no mercado financeiro.
Denúncia do MPF
TH Joias, Marçal e outras 13 pessoas foram denunciados pelo Ministério Público Federal em novembro do ano passado. O grupo é acusado de crimes como tráfico internacional e comércio ilegal de armas e munição, tráfico de drogas, contrabando, corrupção ativa e corrupção passiva.



