Levantamento Genial/Quaest divulgado nesta quarta-feira revela que a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT) entre eleitores evangélicos caiu pela metade em relação à pesquisa anterior, passando de 24 pontos percentuais para 12 pontos. Apesar disso, o senador conseguiu reduzir a distância entre os eleitores independentes, enquanto Lula segue à frente em todos os cenários simulados de primeiro turno.
Queda na vantagem entre evangélicos
Na pesquisa anterior, Flávio Bolsonaro tinha 52% das intenções de voto entre os evangélicos, contra 28% de Lula, uma diferença de 24 pontos. Agora, o senador oscilou para 47%, enquanto Lula subiu para 35%, reduzindo a vantagem para 12 pontos. A oscilação ocorre em um segmento historicamente alinhado ao bolsonarismo, mas que tem mostrado sinais de reavaliação diante do cenário político atual.
Os dados fazem parte da pesquisa Genial/Quaest, que ouviu 2.000 eleitores presencialmente entre os dias 5 e 8 de fevereiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Lula lidera todos os cenários
Em todos os cenários de primeiro turno testados, Lula aparece na frente. No cenário principal, que inclui Flávio Bolsonaro, o petista tem 47% das intenções de voto, contra 33% do senador. Outros nomes testados, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, também ficam atrás de Lula, mas com desempenhos diferentes.
Entre os independentes, Flávio Bolsonaro reduziu a distância para Lula de 10 pontos para 6 pontos. Na pesquisa anterior, Lula tinha 45% e Flávio 35%; agora, Lula tem 44% e Flávio 38%. Essa aproximação pode indicar um movimento de consolidação do nome de Flávio como principal alternativa da direita, embora ainda insuficiente para ameaçar a liderança de Lula.
Impacto na sucessão presidencial
Os números reforçam a posição de Lula como favorito na disputa pela Presidência, mas também mostram que Flávio Bolsonaro conseguiu ampliar sua base entre eleitores que não se identificam com partidos. Para analistas, a queda da vantagem entre evangélicos pode ser atribuída a fatores como a melhora na avaliação do governo Lula entre esse público e a atuação de líderes religiosos que têm adotado um discurso mais crítico ao bolsonarismo.
“A redução da vantagem de Flávio entre evangélicos é um sinal de que esse eleitorado não é monolítico e pode ser influenciado por questões econômicas e sociais”, afirma o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest. “Ainda assim, Flávio segue competitivo, especialmente se conseguir manter o crescimento entre os independentes.”
Metodologia e contexto
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01234/2026. O levantamento ouviu eleitores de 120 municípios brasileiros, com controle de cotas de sexo, idade, escolaridade e renda.
Os cenários testados incluíram combinações com outros pré-candidatos, como o ex-ministro Sergio Moro (União Brasil), a senadora Simone Tebet (MDB) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Em todos eles, Lula manteve vantagem, mas a diferença variou de 14 a 20 pontos, dependendo do adversário.
Especialistas ponderam que, embora a pesquisa aponte um cenário favorável a Lula, a eleição ainda está distante e fatores como a economia, a operação da Lava Jato e eventuais denúncias contra o governo podem alterar o quadro. Para Flávio Bolsonaro, o desafio é transformar o crescimento entre independentes em votos concretos, enquanto Lula busca consolidar a base evangélica que ainda resiste ao petismo.



