Selo de qualidade para pesquisa eleitoral é ideia sem cabimento, diz editorial
Selo de qualidade para pesquisa eleitoral é descabido

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estuda criar um selo de qualidade para pesquisas eleitorais, mas a ideia é recebida com ceticismo por especialistas e veículos de imprensa. Em editorial publicado nesta semana, O Globo classifica a proposta como “sem cabimento” e defende que o tribunal abandone o projeto.

Pesquisas são fotografias, não previsões

O editorial argumenta que as sondagens eleitorais são “fotografias de um momento”, e não “bolas de cristal” capazes de prever resultados com exatidão. “Uma pesquisa bem feita reflete a intenção de voto naquele instante, mas não pode garantir o que acontecerá no futuro”, afirma o texto.

A proposta do TSE surgiu após questionamentos sobre a precisão dos levantamentos nas eleições de 2022, quando algumas pesquisas mostraram cenários diferentes do resultado final. No entanto, para O Globo, a solução não é criar um selo oficial, mas sim fortalecer a transparência metodológica e o debate público.

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Risco de censura e limitação à liberdade de imprensa

O editorial alerta que um selo de qualidade concedido pelo TSE poderia abrir precedentes para controle estatal sobre a divulgação de pesquisas. “Qualquer mecanismo que dê ao Estado o poder de certificar o que é uma ‘boa’ pesquisa eleitoral é perigoso. Pode levar à censura e à limitação da liberdade de imprensa”, destaca.

Para o jornal, o caminho mais adequado é a autorregulação dos institutos de pesquisa, com a adoção de boas práticas e a divulgação clara das metodologias. “O eleitor tem o direito de saber como a pesquisa foi feita, mas não cabe ao TSE atestar sua qualidade”, conclui.

Reações e próximos passos

Até o momento, o TSE não se pronunciou oficialmente sobre as críticas. A proposta ainda está em fase de discussão interna, e não há prazo para apresentação de uma resolução. Enquanto isso, partidos políticos e institutos de pesquisa acompanham o debate com atenção.

O editorial do Globo reforça a posição de que a melhor forma de lidar com as críticas às pesquisas é melhorar a transparência e a educação do eleitor, e não criar novos mecanismos de controle. “A democracia se fortalece com mais informação, não com mais regulação”, finaliza.

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