Nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, aponta uma queda significativa na intenção de voto de Flávio Bolsonaro entre eleitores evangélicos. O senador, que liderava as pesquisas nesse segmento, viu seu apoio recuar 8 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.
Queda de 8 pontos entre evangélicos
Segundo o levantamento, Flávio Bolsonaro caiu de 40% para 32% das intenções de voto entre evangélicos. Essa queda é atribuída, em parte, à crescente rejeição ao seu nome em meio a controvérsias recentes e à falta de uma pauta clara para o segmento.
O instituto Quaest entrevistou 2.000 eleitores em todo o país, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada por um consórcio de veículos de imprensa.
Adversários crescem no segmento
Enquanto Flávio Bolsonaro recuou, outros pré-candidatos avançaram entre os evangélicos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, subiu de 18% para 22%, enquanto o ex-juiz Sergio Moro passou de 12% para 15%. Já o presidente Lula manteve-se estável, com 10% das intenções de voto nesse público.
“A queda de Flávio reflete uma insatisfação crescente com a atuação do senador, especialmente após as denúncias de corrupção envolvendo seu gabinete”, analisa o cientista político André César, da Consultoria Legis.
Impacto na corrida eleitoral
Especialistas apontam que a perda de apoio entre evangélicos pode ser decisiva para as pretensões presidenciais de Flávio Bolsonaro. O segmento representa cerca de 30% do eleitorado brasileiro e é considerado um dos mais influentes nas eleições.
“O voto evangélico é fundamental para qualquer candidato de direita. Se Flávio não conseguir reverter essa tendência, sua candidatura pode ficar inviabilizada antes mesmo da convenção partidária”, afirma a socióloga Maria Helena Rocha, da Universidade de Brasília.
Reação do senador
Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro minimizou a pesquisa, afirmando que “pesquisas são retratos de um momento e que o senador segue trabalhando para apresentar propostas que atendam aos anseios da população, especialmente dos evangélicos”.
O senador tem intensificado encontros com lideranças religiosas nas últimas semanas, buscando reverter a queda nas intenções de voto. Na última segunda-feira, ele se reuniu com pastores em Brasília para discutir pautas de interesse do segmento.
Próximos passos
A pesquisa completa será divulgada no site do instituto Quaest, com detalhamento por região, faixa etária e escolaridade. O próximo levantamento deve ocorrer em setembro, às vésperas do início oficial da campanha eleitoral.
Enquanto isso, os demais pré-candidatos continuam suas articulações. Tarcísio de Freitas, que vem crescendo entre evangélicos, deve intensificar sua agenda no Nordeste, região com forte presença do segmento. Moro, por sua vez, aposta em sua imagem de combate à corrupção para conquistar esse público.
Análise de cenário
Para o analista político Paulo Kramer, da Universidade de Brasília, a queda de Flávio Bolsonaro entre evangélicos pode ser explicada por dois fatores: o desgaste natural de quem está há mais tempo na política e a falta de uma mensagem clara para o segmento. “Os evangélicos buscam candidatos que defendam seus valores e tenham histórico de lutas por pautas como a família e a liberdade religiosa. Flávio não conseguiu se destacar nesses temas recentemente”, avalia.
Kramer também ressalta que a disputa pelo voto evangélico deve se intensificar nos próximos meses, com os candidatos buscando apoio de líderes religiosos e investindo em comunicação direcionada.
Contexto eleitoral
As eleições de 2026 prometem ser uma das mais disputadas dos últimos anos. Além de Flávio Bolsonaro, Tarcísio e Moro, outros nomes como o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e a senadora Damares Alves também buscam espaço no eleitorado evangélico.
Damares, que é evangélica e ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, tem se posicionado como uma alternativa mais alinhada aos valores conservadores. No entanto, ela ainda aparece com menos de 5% das intenções de voto entre os evangélicos, segundo a Quaest.
Com a aproximação das eleições, as pesquisas devem se tornar mais frequentes, e os candidatos terão que responder rapidamente às mudanças de humor do eleitorado.



