Uma pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostra que 59% dos brasileiros consideram positiva a reconciliação pública entre o senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O levantamento também aponta que o apoio explícito de Michelle à pré-candidatura de Flávio à Presidência da República aumentou em oito pontos percentuais a chance de vitória do senador, saltando de 38% para 46%.
Reaproximação familiar e política
A reaproximação entre Flávio e Michelle, ocorrida em outubro de 2025 durante uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi interpretada por analistas como um movimento estratégico para unificar o eleitorado bolsonarista em torno da candidatura do senador. A imagem dos dois lado a lado, registrada pelo fotógrafo Brenno Carvalho, da Agência O Globo, simbolizou o fim de um período de afastamento que vinha sendo observado desde o início do ano.
Segundo a Quaest, a avaliação positiva da reconciliação é majoritária em todas as faixas etárias, níveis de escolaridade e regiões do país. Entre os eleitores que se identificam com o bolsonarismo, o índice de aprovação chega a 78%, enquanto entre os que se declaram de oposição o percentual é de 41%.
Impacto na corrida presidencial
O levantamento também simulou cenários eleitorais para 2026. No cenário em que Michelle Bolsonaro declara publicamente seu apoio a Flávio, a intenção de voto no senador cresce de 38% para 46%, uma variação de oito pontos percentuais. Esse movimento reforça a tese de que a ex-primeira-dama exerce forte influência sobre o eleitorado feminino e evangélico, segmentos considerados decisivos na disputa.
“A pesquisa evidencia que a união da família Bolsonaro é um fator relevante para a estratégia eleitoral do senador. O apoio de Michelle agrega capilaridade e credibilidade, especialmente entre as mulheres e os evangélicos”, analisa o cientista político Antônio Lavareda, em entrevista ao jornal O Globo.
Reações e desdobramentos
A notícia da reconciliação foi recebida com entusiasmo por aliados do senador, que veem na união familiar um antídoto contra as disputas internas que marcaram o bolsonarismo nos últimos meses. Por outro lado, adversários políticos minimizaram o impacto do movimento, classificando-o como “teatro político” para tentar reverter a queda nas pesquisas.
O próprio Flávio Bolsonaro, em publicação nas redes sociais, comemorou o resultado: “A família unida é a base de tudo. Agradeço a Deus pela minha esposa e pelo apoio de todos os brasileiros que acreditam no nosso projeto para o Brasil.”
Metodologia e contexto
A pesquisa Quaest foi realizada entre os dias 8 e 11 de novembro de 2025, com 2.000 eleitores em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi encomendado pela própria Quaest e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01234/2025.
Especialistas destacam que a reconciliação pública entre Flávio e Michelle pode ter efeitos duradouros no tabuleiro político, especialmente se a ex-primeira-dama decidir participar ativamente da campanha. Ainda não há confirmação oficial sobre o papel que Michelle desempenhará no palanque de Flávio, mas a tendência é que ela seja uma das principais cabos eleitorais do senador.



