Integrantes do Palácio do Planalto reconhecem, em conversas reservadas, o constrangimento gerado pelo empréstimo feito pela empresária Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Aliados do petista cobram que o ex-auxiliar apresente os comprovantes da transação financeira, que já é alvo de investigação da Polícia Federal (PF).
Transferência financeira sob suspeita
Roberta Luchsinger foi alvo da PF sob suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS, sendo apontada nas investigações como lobista. Ela é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Em nota, Marcola confirmou que recebeu os valores, sem especificar o montante, na forma de um empréstimo que teria sido posteriormente quitado. A transação foi revelada pelo portal Poder360 na noite de segunda-feira (3).
Reações no PT e na oposição
Integrantes do PT reconhecem que o episódio será usado pela oposição para atacar Lula nas eleições, mas minimizam o impacto para o resultado do pleito. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente nas eleições, gravou um vídeo atacando o petista horas após a revelação.
Aliados de Lula afirmam que haverá desgaste, mas que é possível contorná-lo. Para evitar que o caso cresça junto à opinião pública, defendem que Marcola esclareça todo o episódio. A avaliação é que o tema da corrupção ainda afeta a imagem do governo Lula e que é preciso afastar qualquer relação do tema com o próprio petista. Além disso, ressaltam que o presidente tem afirmado em seus discursos que defende a autonomia da Polícia Federal nas investigações, “doa a quem doer”, o que deverá ser mantido.
Convenção e cobranças internas
A informação sobre a transação financeira foi motivo de conversas reservadas entre petistas na convenção que oficializou a candidatura de Lula no fim de semana, em São Paulo. Um político afirma que o episódio foi lamentado e que houve ali uma cobrança para que o caso fosse esclarecido. Apesar disso, descartam qualquer ataque de Lula ao ex-auxiliar, e falam na lealdade e atuação dele junto ao petista nos últimos anos.
Aos 40 anos, Marcola é um dos auxiliares mais jovens de Lula e manteve forte relação com o petista na última década, com acesso ao presidente em momentos privados e atento inclusive aos hábitos do petista. Cuida da agenda do presidente desde a época do Instituto Lula, onde ingressou em 2015. Foi um dos coordenadores executivos da caravana de Lula pelo Brasil em 2017 e mudou-se para Curitiba quando o presidente esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, entre 2018 e 2019. No fim de julho, deixou a chefia de gabinete de Lula para integrar a pré-campanha à reeleição, onde cuidará da agenda do petista, ao lado do ex-ministro Gilberto Carvalho.



