A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o pessimismo dos empresários brasileiros avançou ao pior patamar desde o início da pandemia de Covid-19. O indicador aponta 19 meses consecutivos no patamar de pessimismo, o que pode ser traduzido em redução de empregados e produção ou cancelamento de investimentos.
Indicador atinge nível crítico
Segundo a CNI, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu para 48,9 pontos em março, abaixo da linha de 50 pontos que separa otimismo de pessimismo. Este é o menor valor desde maio de 2020, quando o país enfrentava o auge da primeira onda da pandemia. A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 13 de março, com 1.245 empresas de pequeno, médio e grande porte.
Impactos na economia real
O pessimismo prolongado já começa a se refletir em decisões concretas das empresas. De acordo com a CNI, 38% dos empresários entrevistados afirmaram que pretendem reduzir o quadro de funcionários nos próximos meses, enquanto 29% planejam diminuir a produção. Além disso, 33% disseram que vão cancelar ou adiar investimentos previstos para 2025.
"O cenário de incertezas fiscais e a lentidão na retomada econômica têm gerado um ambiente desfavorável para os negócios", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban, em nota oficial. "A reforma tributária, embora necessária, ainda gera dúvidas sobre seus efeitos práticos e o prazo de implementação."
Setores mais afetados
O levantamento da CNI também revela diferenças setoriais. A indústria de transformação é a mais pessimista, com índice de 47,2 pontos, seguida pela construção civil (48,1 pontos). Já o setor de serviços apresentou ligeira melhora, mas ainda permanece abaixo dos 50 pontos, em 49,3 pontos.
Expectativas para os próximos meses
Apesar do pessimismo generalizado, a CNI destaca que as expectativas para os próximos seis meses melhoraram ligeiramente em relação ao mês anterior, mas ainda permanecem em terreno negativo. O subíndice de expectativas subiu de 49,1 para 49,5 pontos, ainda longe do otimismo.
"A recuperação da confiança depende de sinais claros de estabilidade econômica e previsibilidade nas regras tributárias e fiscais", concluiu Alban. A CNI reforça que a aprovação de medidas estruturais, como a reforma tributária e o arcabouço fiscal, é essencial para reverter o quadro de pessimismo.



