Patrimônio de Jaques Wagner cresce 630% em 8 anos
Patrimônio de Jaques Wagner cresce 630% em 8 anos

O patrimônio declarado do senador Jaques Wagner (PT-BA) cresceu 630% entre 2018 e 2026, período em que ele exerceu mandato no Senado e passou a ser investigado no âmbito do caso Master. Os dados constam nas declarações de bens entregues à Justiça Eleitoral e foram divulgados pelo jornal O Globo neste domingo.

Crescimento expressivo em oito anos

Em 2018, o ex-governador da Bahia declarou possuir R$ 1,2 milhão em bens. Já em 2026, o valor saltou para R$ 8,8 milhões, um aumento de aproximadamente R$ 7,6 milhões. O crescimento percentual de 630% supera em muito a inflação acumulada no período, que ficou em torno de 40%, segundo o IPCA.

Os bens incluem imóveis, aplicações financeiras e participações em empresas. A maior parte do incremento, no entanto, está concentrada em aplicações em renda fixa e em fundos de investimento, conforme os registros.

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Investigação no caso Master

Jaques Wagner é alvo de investigação no caso Master, que apura supostas irregularidades em contratos firmados entre o governo da Bahia e a empresa Master, durante sua gestão como governador, entre 2007 e 2010. A investigação tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Edson Fachin.

Em nota, a assessoria do senador afirmou que “o crescimento patrimonial é fruto de economia salarial, investimentos legítimos e herança recebida de familiares”. A defesa também destacou que “todas as declarações foram feitas à Receita Federal e à Justiça Eleitoral, conforme determina a lei”.

Repercussão política

O caso ganhou repercussão no meio político, especialmente entre adversários do PT na Bahia. O deputado estadual Sandro Régis (União Brasil) afirmou que “o aumento patrimonial de Jaques Wagner precisa ser explicado à população baiana, que confiou seu voto a ele”.

Já o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), saiu em defesa do colega: “Jaques Wagner é um homem público íntegro, com mais de 40 anos de vida pública. Não podemos fazer juízo de valor precipitado com base em números”.

O que diz a lei

Senadores são obrigados a declarar seus bens anualmente à Justiça Eleitoral, e o crescimento patrimonial pode ser alvo de fiscalização por parte do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Ministério Público Federal (MPF).

O MPF informou que “acompanha a evolução patrimonial de agentes públicos e, se necessário, abrirá procedimento para apurar a origem dos recursos”. Até o momento, não há indícios de crime, mas a investigação do caso Master pode incluir a análise das declarações do senador.

Histórico de carreira

Jaques Wagner é um dos políticos mais influentes do PT na Bahia. Foi deputado federal, ministro das Relações Institucionais no governo Lula, governador da Bahia por dois mandatos e, desde 2019, senador. Ele é cotado para disputar o governo do estado em 2026, embora ainda não tenha confirmado.

O caso Master também envolve outros ex-integrantes do governo estadual, e a defesa do senador afirma que “não há qualquer ato ilícito praticado por ele”.

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