Oposição de UEFA e Concacaf inviabiliza plano de Infantino para Fifa
Oposição de UEFA e Concacaf inviabiliza plano de Infantino

A oposição oficial da Uefa e da Concacaf ao plano do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de criar uma empresa privada para administrar os torneios da entidade e vender ações a investidores torna praticamente impossível a aprovação da proposta. Europa, Caribe, América do Norte e Central somam 90 votos – 55 da Uefa e 35 da Concacaf –, o equivalente a 43% das 211 federações filiadas. Para que o projeto seja aprovado, Infantino precisa do aval de ao menos 106 associações nacionais.

Cronograma e reações continentais

O presidente da Fifa informou que as confederações continentais têm até 19 de setembro para manifestar oficialmente seus votos. Sem o apoio de Uefa e Concacaf, Infantino precisará de aprovação quase unânime nos demais continentes. A Confederação Asiática de Futebol (AFC), com 46 membros filiados, ainda não divulgou sua posição, mas criticou duramente a forma como a ideia foi apresentada. “A AFC não foi consultada sobre a proposta e lamenta que um assunto de tamanha importância tenha se tornado público antes que a família AFC tivesse a oportunidade de examiná-lo e discuti-lo pelos canais de governança apropriados e estabelecidos”, afirmou a entidade em nota oficial na quarta-feira.

Posições da África, Oceania e América do Sul

A Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou que realizará uma reunião na próxima semana para decidir sua posição. A Confederação de Futebol da Oceania (OFC) também marcou uma reunião para agosto. Já a Conmebol, que reúne as dez federações sul-americanas, ainda não se posicionou oficialmente sobre a proposta.

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Uefa promete boicote

A Uefa foi a federação continental que apresentou as críticas mais duras, com a promessa de boicote a qualquer competição da Fifa caso o plano seja aprovado. “Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a ideia seja totalmente abandonada e haja garantias vinculantes”, diz o documento divulgado pela entidade. O boicote poderia afetar a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.

Detalhes da proposta e argumentos de Infantino

A proposta, anunciada na última terça-feira, prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que consolidaria as operações comerciais e as principais competições da entidade. O controle majoritário permaneceria com a Fifa. A Fifa acredita que a FFE valeria US$ 20 bilhões (R$ 102,3 bilhões) e planeja vender o equivalente a US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) em ações para investidores privados, que seriam minoritários. Com os recursos, Infantino promete aumentar o repasse para cada federação filiada dos atuais US$ 8 milhões para US$ 20 milhões por ciclo. Em um vídeo divulgado na quarta-feira, Infantino afirmou que a ideia passará por votação de todas as associações-membro e pelo conselho da organização. “A venda de ações permitiria aumentar o repasse para cada federação filiada, de 8 milhões para 20 milhões de dólares”, disse. A Fifa espera arrecadar US$ 4,2 bilhões com o projeto.

Nota da Uefa: “Copa do Mundo não está à venda”

Em nota oficial, a Uefa afirmou: “Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da Fifa de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da Fifa para investidores privados. A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. […] É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da Fifa como guardiã do futebol mundial.”

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Cenário de aprovação

Com a oposição de Uefa e Concacaf, Infantino precisa do apoio de ao menos 106 federações. Atualmente, as 143 federações de Uefa, Concacaf e AFC (que ainda não decidiu) representam ampla maioria. A AFC, com 46 votos, pode ser decisiva. A CAF (54 votos) e a Conmebol (10) também serão fundamentais. Caso todas as federações africanas e sul-americanas apoiem a proposta, Infantino alcançaria 110 votos, superando o mínimo necessário. No entanto, a pressão da Uefa e a possibilidade de boicote podem influenciar as decisões.