Articuladores de Lula tentam conter Boulos e PT em embate sobre fim da escala 6x1
Lula tenta conter Boulos e PT em embate sobre escala 6x1

Articuladores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão mobilizados para conter o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) e a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) em meio a um embate com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso). A proposta, considerada uma das prioridades do governo para este ano, gerou tensão após Alcolumbre rejeitar um nome indicado por Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF), o que levou petistas a criticarem abertamente o senador.

Origem do conflito

A queixa de Alcolumbre ocorreu após a bancada do PT e Boulos intensificarem a pressão pela aprovação da PEC, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para reduzir a jornada máxima de trabalho. Alcolumbre, que tem se distanciado do Planalto desde a recusa ao nome de Lula para o STF, manifestou insatisfação com a abordagem dos parlamentares. Segundo fontes do governo, a estratégia dos articuladores é evitar confrontos diretos para não atrasar a votação da matéria no Senado.

Mobilização do PT e reação de Alcolumbre

O PT, por sua vez, mobilizou a militância para pressionar o Senado a aprovar a PEC, que é vista como uma bandeira histórica da esquerda. Boulos, um dos principais defensores da proposta, tem feito discursos incisivos contra a escala 6x1, classificando-a como 'exploração do trabalhador'. No entanto, a reação de Alcolumbre gerou um mal-estar que os articuladores de Lula tentam conter. 'Precisamos de diálogo, não de confronto', disse um interlocutor do governo, sob condição de anonimato.

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Impacto no calendário legislativo

A PEC do fim da escala 6x1 é uma das matérias mais aguardadas pelo governo, que conta com o apoio de centrais sindicais e movimentos sociais. No entanto, a resistência de Alcolumbre pode atrasar a tramitação, já que ele controla a pauta do Senado. Segundo analistas, a aprovação da PEC exigirá negociações complexas, especialmente com a base governista. 'O governo precisa equilibrar as pressões internas e externas para não perder o apoio no Congresso', afirmou o cientista político Carlos Melo, da Universidade de São Paulo (USP).

Próximos passos

Articuladores de Lula planejam reuniões com Alcolumbre e líderes partidários para destravar a PEC. Enquanto isso, Boulos e o PT devem manter a pressão popular, mas sem romper com o governo. A expectativa é que a proposta seja votada nas próximas semanas, mas o desfecho dependerá da habilidade do Planalto em conter as divergências internas.

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