O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (13) que não quer as Forças Armadas para pagar aposentadoria, mas para cuidar da soberania nacional. A declaração ocorreu durante cerimônia no Palácio do Planalto, em que sancionou a lei que reajusta o soldo dos militares. Lula criticou indiretamente o governo anterior, que, segundo ele, tratou as Forças Armadas como 'cabides de emprego' e não investiu adequadamente em equipamentos e treinamento.
Discurso defende reestruturação das Forças Armadas
Lula destacou que o Brasil precisa de Forças Armadas modernas e preparadas para defender a Amazônia, a fronteira e o pré-sal. 'Não quero as Forças Armadas para pagar aposentadoria de ninguém. Quero as Forças Armadas para cuidar da soberania do país', disse o presidente, arrancando aplausos dos presentes. Ele também ressaltou que o governo atual está investindo na compra de novos equipamentos, como helicópteros e navios, e na valorização dos militares da ativa.
O presidente ainda criticou a gestão anterior, que teria usado as Forças Armadas para fins políticos. 'Não se pode usar as Forças Armadas como cabides de emprego. Elas têm que ser preparadas para a guerra, para a paz, para a defesa da nossa soberania', afirmou. Lula também mencionou a necessidade de melhorar as condições de trabalho e a infraestrutura das bases militares.
Reajuste salarial e impacto fiscal
A lei sancionada prevê reajuste de 5% no soldo dos militares a partir de 2027, com impacto estimado de R$ 2 bilhões nos cofres públicos. O governo argumenta que a medida é necessária para repor perdas inflacionárias e evitar a evasão de quadros qualificados. No entanto, especialistas criticam o aumento, apontando que o regime de previdência dos militares já é deficitário.
Lula rebateu as críticas: 'Não é gasto, é investimento. Um país que não cuida da sua defesa não é respeitado no mundo'. Ele também prometeu enviar ao Congresso um projeto de reforma do sistema de pensões militares, mas sem detalhar prazos ou medidas.
A oposição reagiu com ceticismo. O deputado federal Alberto Fraga (PL-DF) afirmou que 'Lula fala em soberania, mas na prática cortou verbas da defesa e indicou ministros que são contra a intervenção militar'. Já o senador Esperidião Amin (PP-SC) defendeu a necessidade de um debate mais amplo sobre o papel das Forças Armadas no Brasil.
Contexto e reações
As declarações de Lula ocorrem em meio a tensões entre o governo e os militares, especialmente após a divulgação de áudios em que o ex-presidente Jair Bolsonaro sugere usar as Forças Armadas para atacar as urnas eletrônicas. Lula evitou mencionar Bolsonaro diretamente, mas disse que 'quem usa as Forças Armadas para se proteger está cometendo um erro grave'.
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que estava ao lado de Lula, endossou o discurso: 'As Forças Armadas são do povo brasileiro, não de governos. Nosso compromisso é com a Constituição e a democracia'. A Associação dos Militares da Ativa elogiou a fala do presidente, mas cobrou ações concretas, como a aprovação de um novo plano de carreira.



