O diretor-geral da Fundação FHC, Sergio Fausto, criticou duramente a declaração da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou ser a primeira a ocupar o cargo de primeira-dama trabalhando 'efetivamente'. Em entrevista, Janja disse: 'É a primeira vez que o Brasil tem uma primeira-dama que trabalha efetivamente'. Para Fausto, a fala revela 'desconhecimento da história', especialmente em relação ao trabalho da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, falecida em 2008.
Crítica ao desconhecimento histórico
Sergio Fausto, em nota divulgada pela Fundação FHC, afirmou que a declaração de Janja desconsidera o legado de Ruth Cardoso, que foi antropóloga e idealizou programas sociais como o Comunidade Solidária, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). 'Ruth Cardoso foi uma primeira-dama atuante, com trabalho reconhecido nacional e internacionalmente. Dizer que Janja é a primeira a trabalhar efetivamente é um equívoco e demonstra desconhecimento da história do Brasil', declarou Fausto.
Janja e o preconceito de classe
Em suas declarações, Janja também destacou sentir preconceito de classe por suas origens humildes. Ela nasceu em União da Vitória, no Paraná, e é filha de um metalúrgico e uma costureira. 'Sofro preconceito por ser de origem humilde, por não ter nascido em berço de ouro', afirmou a primeira-dama. A fala gerou reações diversas nas redes sociais e entre políticos.
Reações e contexto
A crítica de Sergio Fausto se soma a outras vozes que apontaram o trabalho de ex-primeiras-damas como Ruth Cardoso, Marisa Letícia (esposa de Lula) e Marcela Temer. Marisa Letícia, por exemplo, foi responsável por ações sociais no primeiro governo Lula. A declaração de Janja ocorre em meio a um debate sobre o papel da primeira-dama no Brasil, que não é um cargo oficial, mas tem relevância simbólica e social. A Fundação FHC, presidida por Fernando Henrique Cardoso, mantém a memória do ex-presidente e de sua esposa.



