Israel aprova lei que suspende prisão de ultraortodoxos por recusa ao serviço militar
Israel aprova lei que suspende prisão de ultraortodoxos

O Parlamento de Israel (Knesset) aprovou nesta terça-feira uma lei que suspende a prisão de ultraortodoxos que recusarem o serviço militar obrigatório. A medida, aprovada por 58 votos a 54, ocorre em meio a uma grave escassez de efetivo nas Forças Armadas israelenses e gerou fortes críticas da oposição, que classificou a decisão como uma "vergonha".

Detalhes da aprovação e contexto político

A lei foi aprovada após tensas negociações lideradas pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu com partidos ultraortodoxos, que sustentam que o serviço militar prejudica os estudos religiosos. A comunidade ultraortodoxa, que representa cerca de 12% da população de Israel, tradicionalmente busca isenções do serviço militar para dedicar-se ao estudo da Torá.

A oposição, liderada pelo ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, criticou duramente a decisão. "Esta é uma vergonha para o país. Enquanto nossas forças armadas enfrentam uma crise de efetivo, o governo prefere ceder a pressões políticas em vez de garantir a segurança nacional", declarou Eisenkot durante o debate no plenário.

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Impacto na segurança nacional

A escassez de soldados nas Forças Armadas israelenses tem sido um tema recorrente nos últimos anos, especialmente após o aumento das tensões regionais. Dados oficiais indicam que o Exército enfrenta um déficit de aproximadamente 10 mil soldados em funções operacionais. A nova lei, na prática, permite que ultraortodoxos evitem o serviço militar sem sofrerem penalidades legais, o que pode agravar ainda mais o problema.

Segundo analistas políticos, a aprovação da lei reflete a fragilidade da coalizão governista de Netanyahu, que depende do apoio dos partidos ultraortodoxos para manter a maioria no Knesset. Críticos apontam que a medida prioriza interesses partidários em detrimento das necessidades de defesa do país.

Reações da sociedade civil

Organizações de direitos humanos e grupos seculares também manifestaram repúdio à lei. O movimento "Igualdade no Serviço" emitiu nota afirmando que a decisão "cria uma divisão perigosa na sociedade israelense, onde uns são obrigados a servir e outros são isentos por motivos religiosos". Protestos ocorreram em frente ao Knesset durante a votação, com manifestantes carregando cartazes que diziam "serviço igual para todos".

A lei ainda precisa ser promulgada pelo presidente de Israel para entrar em vigor, mas a expectativa é que isso ocorra nos próximos dias.

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